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Mostrando postagens de agosto, 2008

Saudade - Florbela Espanca

Belos amores perdidos, Muito fiz eu com perder-vos; Deixar-vos, sim: esquecervos Fora demais, não o fiz. Tudo se arranca do seio, — Amor, desejo, esperança... Só não se arranca a lembrança De quando se foi feliz. Roseira cheia de rosas, Roseira cheia de espinhos, Que eu deixei pelos caminhos, Aberta em flor, e parti: Por me não perder, perdi-te: Mas mal posso assegurar-me, — Com te perder e ganhar-me, Se ganhei, ou se perdi...

Primavera - Cecília Meirelles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega. Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores. Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende. Oh!