sábado, 11 de outubro de 2008

Florbela Espanca



Fanatismo - Poesia de Florbela Espanca interpretada por Fagner

Descobri Florbela folheando poetas na Livraria Cultura e foi amor à primeira vista. Pareceu-me que estava a ler os meus pensamentos e sentimentos e não os dela e usei muito suas poesias nos momentos em que minhas próprias palavras eram poucas e pobres. Gosto tanto dela que cheguei a programar uma viagem à Évora que ela tanto gostava, apenas para pisar no mesmo chão que pisou, ver os lugares que viu e a casa onde morou e escreveu versos tão lindos.

Florbela Espanca viveu para o amor pela poesia, pelo irmão, pelos namorados e maridos, pela vida. Portuguesa, filha ilegítima tardiamente reconhecida, teve vida pessoal e amorosa tumultuada. Paixões infelizes, alguns abortos expontâneos, o falecimento precoce de seu irmão e um diagnóstico de edema pulmonar culminaram em seu suicidio aos 36 anos.

Seus versos são explosões de puro sentimento, na forma mais crua e honesta, sem disfarces, sem pudores em despir a alma através das palavras.  Românticos, normalmente melancólicos, raramente alegres, por vezes sutilmente eróticos e sempre extremamente líricos.

Impossível escolher um ou dois e dizer que são meus prediletos, então trouxe 2 apenas como exemplos:


SE TU VIESSES VER-ME HOJE À TARDINHA

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


OS VERSOS QUE TE FIZ

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

...

Se estes já são tão belos, fico só imaginando como seriam aqueles que guardava para ele. 


1 comentários:

Paulo N. disse...

muita "glicose" pro meu gosto

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