sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

O desejo de confessar

“Precisamos de livros que nos afetam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém que amamos mais do que a nós mesmos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós.” (Franz Kafka)



Pra ser sincero - Engenheiros do Hawaii


Apesar do nome russo que soa tão complicado, Fiodor Dostoievsky tem uma escrita simples, pura e crua, sem rodeios, direto ao ponto. Fosse apenas pela forma que escreve, diria que é um dos mais fáceis de se ler, mas pelo conteúdo a estória é diferente...

Crime e Castigo é sobre um jovem (Raskolnikov) culto, inteligente e muito pobre que mata uma senhora idosa e rouba seu dinheiro, ainda que não consiga usufruir deste, escondendo-o apenas. Apesar de suspeito não é preso. Assoberbado pela culpa vai aos poucos sentindo um forte impulso ou desejo de confessar o crime e receber um castigo que o absolva. Na outra ponta um investigador inteligente e paciente aguarda o que considera uma confissão inevitável. Um triller de suspense e um drama psicológico que acompanhamos avidamente, passo a passo.

Definitivamente um livro tão provocante quanto os aspirados por Kafka. Não à toa é considerado um dos melhores, senão o melhor, romance já escrito.

É uma paulada na cabeça! Deixa as idéias confusas, a mente zonza. "E eu, no lugar de Raskolnikov, teria matado? E se tivesse matado, depois teria usufruido do fruto do crime ou, como ele, teria me perdido em culpas e no desejo de confessar? Sou tão amoral quanto ele? Mas seria ele realmente amoral e errado ou apenas humano, como eu?" E por aí vai...

...

E você? Já sentiu esta vontade irresistível de confessar algum pecado?


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