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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Nuvens



Fui pescar nuvens.

Sabia que era proibido já há algum tempo, mas me assaltou a vontade, assim, de repente, irresistível.

Lembrei de seu sabor tão leve quando assadas ou tão crocantes quando fritas, senti a saliva inundando o céu da boca, cheguei até mesmo a sentir, juro por Deus, o cheiro. Ah... O cheiro de nuvens frescas!!! Sutil, delicado, sofisticado. Quando você cheira uma nuvem recém pescada, não tem cheiro algum. Basta levar à cozinha, cortar em cubinhos ou simplesmente abrir para assar ou cozinhar e o cheiro inicia a soltar-se, despregar-se, subindo em redemoinhos, direto ao cérebro. E como nos envolve. Entorpe, amolece, sei lá, só sei que é bom demais!!! Seria capaz de matar por aquele cheiro, que lógico, só desperta o desejo de comer. Então você cozinha rapidamente, antecipando o prazer, e, quando come e sente-as derretendo na língua percebe que poderia morrer naquele momento e que estaria tudo bem, morreria feliz.

Costumo comer escondido. Sei que é feio. Mas nisto sou egoísta. Quando pesco nuvens, escondo de filhos, mulher, mãe, amigos, de todos. Tranco-me, de madrugada, na cozinha. Eu mesmo limpo, preparo e depois, absolutamente só, delicio-me. Por mais que tenha não me contento. Nuvem não satisfaz, sempre deixa uma vontade de mais.

Mas isto são reminiscências, lembranças, porque desde que foram proibidas, o que já tem um bom tempinho, não pesquei e nem encontrei para comprar. Acho que lá vai uns bons 3 ou 4 anos.

Hoje, de repente, bateu esse desejo de ex-viciado. Irresistível. Peguei minha vara e fui pescar nuvens.

Na beira do rio tem uma tabuleta enorme, branca, com letras vermelhas: “Proibido pescar nuvens”. Olho ao redor. Ninguém. Dane-se. Escolho um local, sento-me encostado a uma árvore e jogo a linha. Enterro o chapéu nos olhos e aguardo.

Não preciso esperar muito. Depois de tanto tempo sem pesca, o rio estava repleto delas. Logo uma mordeu a isca. Grande, imensa. Deu trabalho, mas consegui tirar da água. Linda... Branquinha, toda fofa... Beleza.

Foi quando ouvi o apito e vi o guarda vindo em minha direção. Avaliei rapidamente a situação. Ele estava muito longe para ter visto. Escondi-a no peito, por dentro da camisa. Foi preciso alguma lábia e uns tostões, mas consegui o convencer de que estava pescando sem isca, apenas como terapia de relaxamento.

Conseguira minha nuvem! Fui para casa delirante. Ainda era cedo. Teria que aguardar umas 6 horas até que a casa toda se aquietasse e pudesse ter a cozinha só para mim.

Minha mulher, aliás, estava preparando o jantar. Carne, legumes, coisa de todo dia. Sorri, beijei e tamborilando os dedos no balcão respondi à puxada de papo sobre assuntos triviais, louco por um momento de solidão, para tirar a nuvem do peito e a esconder no armário, numa parte que ela nunca mexia.

E este surgiu dali a pouco quando o bebê chorou na sala e ela foi acudir. Corri ao armário, guardei a nuvem e estava fechando as portas quando esbarrei num pote de chuva que estava mais à frente e que caiu por sobre outros, fazendo um tremendo barulho, que a trouxe de volta, correndo, afoita por ajudar.

Afastou-me com aquele jeito que as mulheres têm de afastar os homens de seus domínios, tão rápido que nem sei como foi. Só sei que me vi ao lado e ela em frente ao armário, e... à nuvem. Exclamou, surpresa. Tirou-a para fora e me inquiriu com os olhos.

A única coisa que eu pensava é que era minha, toda minha e que não a dividiria com ninguém, nunca, jamais. Não pensei em explicar a coisa toda. Só sentia o desespero de tirar a minha nuvem de mãos alheias. Precisava sentir a segurança de ser minha novamente, só minha!!!

Peguei-a de suas mãos e guardei novamente em meu peito. Sei que fui infantil, devo até mesmo ter sido ridículo, como uma criança de quem tiram um doce e que se desespera, mas era exatamente assim que me sentia naquele momento.

O problema é que não apenas minha esposa estava grávida como era tão maluca por nuvens quanto eu, se não fosse mais. Bem... E quem, afinal de contas, não é doido por nuvens? Estou para conhecer.

Ela também não devia estar raciocinando como a esposa calma e equilibrada que era, pois que também nada perguntou, nada falou e apenas avançou sobre meu peito rasgando com as longas unhas minha camisa e pegando a nuvem.

Consegui agarrar uma ponta um segundo antes que esta saísse completamente de meu poder. Puxamos ambos, cada um para um lado e a nuvem - com a pressão - desmanchou-se. Observamos impotente ela se transformar, rapidamente, em uma poça no chão.

Nunca senti tanto ódio de um ser humano como senti naquele momento de minha mulher. Poderia a ter estrangulado, ali mesmo, naquele momento.

Consegui um mínimo de autocontrole que me permitiu abrir a porta e sair.

Nunca mais voltei.

...

Escrevi este conto em 2002 e o dedico hoje para minha irmã Tamar e para minha amiga Índia.

Um final de semana com muito sol e boas nuvens para todos! :D



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