WhatsApp

 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

sábado, 30 de maio de 2009

10) O Medalhão das Fadas


"Será mesmo que ela está tão atraída por mim quanto eu por ela? Não deveria, mas gosto disto. Gosto demais até." - Estava realmente feliz naquele momento, após ouvir aquele elogio tão espontâneo.

“Como ela consegue ver minhas asas e o brilho? Nenhum outro humano até hoje conseguiu. Gostaria de lhe contar a verdade. Embora não tenha mentido, dei a entender que estava vendo coisas. Agora está confusa e é melhor assim. Não posso deixar que saiba da verdade. Iria querer saber mais e seria perigoso para nós e muito mais para ela.” - Dirigia parecendo concentrado na direção, mas na realidade estava pensando.

Ela também parecia distraída em seus pensamentos e ficamos os dois em um silêncio pacato e agradável. Estar com ela era assim: surpreendentemente bom! Na volta poderia perguntar e saber mais sobre ela. Agora apenas aproveitava esta quietude gostosa envolvido pelo calor de nossos corpos na noite um pouco fria.

Logo chegamos à casa de Antônio, bastante iluminada. De fora ainda ouvimos o som da música regional. Ele estava nos aguardando na entrada e abraçou Maise com carinho, cumprimentando-me com os olhos ao mesmo tempo.

A festa acontecia em seu imenso quintal com o cheiro da carne que assava na churrasqueira impregnando todo o ambiente, uma pequena fogueira em outro canto assando espigas de milho e batatas doces, várias mesas com cadeiras espalhadas e uma maior com comidas e bebidas. Parece que a vila inteira tinha vindo. Reconheci diversos aldeões e suas mulheres em vestidos floridos e alegres. Até as crianças estavam aqui, brincando juntas.

Quando entramos, todos nos olharam. Já me conheciam e embora pudessem estranhar minha presença era em Maise que se concentravam. Percebi o interesse mais do que casual em alguns moços e até mesmo nos homens casados. Devia ter imaginado. Maise era linda. Sua pele branca, os cabelos dourados e os olhos azuis não eram comuns nem mesmo em cidades maiores, mas aqui forneciam um contraste forte com a pele bronzeada e os cabelos e olhos escuros das aldeãs.

Aproximei-me mais dela. Não a deixaria à mercê destes homens. Toquei-a delicadamente no braço, perto do cotovelo. Era delicioso a tocar e como não fez nenhum gesto para se afastar, deixei ali minha mão. Era um recado claro e podia ver que não gostaram. Melhor assim. Ela era jovem, inexperiente e indefesa demais para lidar com estes matutos.

Antônio nos levou de lado a lado apresentando todos: Mário, o dono da farmácia, José, gerente do banco, Cida, dona da loja de roupas e tantos outros que logo os nomes e os rostos se tornaram um borrão confuso. Foram muito amáveis e logo estávamos ambientados, conversando e rindo. O som estava mais baixo agora de modo a permitir algum conforto nos diálogos.

Comemos sentados na mesa de Antônio e sua esposa Marta que Maise já conhecia. Riram lembrando-se da quantidade insana de pó que tiraram da cabana no primeiro dia e combinaram uma visita no próximo final de semana.

Não sai de seu lado, pouco interessado nas conversas, apenas a observando. Ela parecia à vontade e feliz. Era um prazer ver como interagia alegremente com eles.

Após o jantar a música ficou novamente alta e rápida. Maise não quis dançar e fomos para a sala onde um pequeno grupo conversava animado. Apresentaram-nos a uma mulher a quem ainda não conhecia: Rita. Maise a reconheceu. Era a dona da loja de bijuterias que tinha uma barraca na feira. Maise mostrou-lhe o medalhão no colar que levava ao pescoço e que até então estivera oculto pelo vestido.

Notei o choque de Rita. Ficou pálida, observando-o muito mais tempo do que seria normal antes de falar:

- É o símbolo de proteção das Fadas. Parece original e não cópias como os que vendo, ainda que não possa saber ao certo porque nunca vi um original. Como o conseguiu?

- Foi um presente de minha mãe, quando fiz 18 anos. Como assim original? – Maise perguntou.

- Já vi em alguns livros que estudei sobre o assunto. Elas presenteiam humanos de quem gostam com um destes e é um amuleto de proteção além de distinguir o portador para outros Elementais, caso vejam.

- Elementais? – Maise parecia confusa ao perguntar.

- Seres etéreos que representam os quatro elementos básicos da Terra: ar, água, fogo e terra. São as fadas, duendes, elfos, salamandras, ondinas, sílfides e muitos outros. Pequenos seres que cuidam de nosso planeta e também dos humanos, caso algum saiba se aproximar e os cativar. Dizem que Portal do Sol é a entrada para o mundo encantado de Etera, onde vivem.

- Sério? – Maise estava interessada. Será que estava acreditando?

- São lendas, basicamente. Estórias que se contam. Ninguém tem fotografias ou provas da existência deles, ainda que nós aqui em Portal acreditemos neles. – Respondeu Rita levantando-se.

- Desculpem, lembrei-me de algo. Tenho que ir agora. Quando puder, apareça em minha loja, conversaremos mais sobre as Fadas e mostro os livros e ilustrações que tenho. – Então se despediu dos mais próximos e saiu parecendo apressada.

Maise olhou-me curiosa como que perguntando o que eu pensava sobre o assunto. Dei de ombros, como se fossem bobagens que nem considerava e que tanto fazia serem verdadeiras ou não. Ela pareceu desapontada, mas contar-lhe o que sabia seria tão ruim quanto dizer sobre as asas. Era melhor deixar o assunto morrer.

Enquanto estávamos conversando na sala, o som mudara e agora as melodias eram lentas e românticas. Todos se encaminharam novamente ao quintal, incluindo nós, para observar os casais dançando.

- Dança comigo, Adriel? - Perguntou ela, olhando-me com aqueles olhos azuis profundos. Seriam meu fim, certamente. Não conseguiria recusar. O problema é que não tinha a menor idéia de como dançar, se bem que observando os humanos, não parecia tão difícil. Difícil seria estar com ela assim tão próxima, quando deveria afastar-me. Só esta noite, tinha me prometido. Foi esta a desculpa que me dei quando a acompanhei até a pretensa pista de dança no centro livre do quintal.


Texto registrado no Literar

Imagem: montagem minha à partir das fotos de dois pingentes encontrados na net.

0 comentários:

Posts relacionados: