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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

8) O primeiro encontro


Ela abriu a porta. O cheiro de banho recém tomado e sabonete escapou do ambiente e penetrou refrescante em minhas narinas. Usava um vestido de alças, deixando os ombros e o colo delicado à mostra. Seu rosto estava iluminado pelo sorriso. Pena que assim que me viu, encerrou-o.

“Quem ela estava esperando?” – Pensei enquanto a observava abrindo a boca surpresa. Parecia uma repetição da praia e quando começou a levantar a mão, lembrei-me que após tapar um grito saíra correndo tão rápido que nada pude fazer.

“Desta vez não!” – Instintivamente segurei seu braço para impedir que fugisse.

- Você não vai sair correndo, vai? – E complementei com um sorriso, esperando ser o suficiente para a reter.

- Nããão. – Respondeu, parecendo ainda indecisa.

- Sou Adriel, seu vizinho. Moro na outra ponta da praia. Antônio pediu-me que lhe desse uma carona. Ele não te avisou? – Expliquei ainda segurando delicadamente seu braço. A pele era macia e quente e não tinha pressa em retirar minha mão. Ela pareceu confusa ainda, mas logo reagiu.

- Hum... Espera, quer dizer, entre. – Seguiu apressada para o interior e acompanhei-a. Pegou uma bolsa em uma mesa e tirou de dentro um celular, olhando-o séria. Mostrou-me.

- Sem bateria. Esqueci. Antônio deve ter tentado falar comigo e não conseguiu. Espera um minutinho, Adriel? – Sorriu levemente ao dizer a última frase ao mesmo tempo em que já ia em direção à uma tomada elétrica. Ligou o aparelho no recarregador e logo começamos a ouvir bipes.

- Está vendo? – Mostrou-me o celular como se fosse uma prova. Então discou um número e começou a falar com Antônio.

Ouvi vagamente enquanto explicava a ele porque não atendera a seus chamados. Estava vendo o interior da cabana e sentindo todos os cheiros que exalava. Banho fresco, flores, frutas. Tão diferente dos que me rodeavam. Totalmente feminino. A decoração era simples e rústica parecendo não combinar com ela e lembrei-me que era de seu pai antes. A um canto um cavalete virado para a parede. Antônio disse que era artista. Senti curiosidade em olhar para ver o que pintava e como era o estilo, cores e luzes que usava e também o tema. Queria ver aquela tela. Conheceria muito sobre ela apenas de ver uma de suas pinturas e só a boa educação impediu de desvirá-la para olhar. Mais tarde talvez me mostrasse se pedisse e pediria certamente. Neste momento encerrou a ligação e virou-se para mim, dizendo:

- Desculpe. Antônio se esqueceu de avisar quando nos falamos na vila e passou o dia tentando falar comigo, sem conseguir. Estava preocupado, já. – Parecia realmente constrangida.

- Não se preocupe. Estas coisas acontecem. – Apesar de tudo esclarecido ela continuava quieta, olhando para os dedos dos pés e parecia triste ou era imaginação? – Está tudo bem agora?

- Está. – Respondeu. E continuou imóvel. Nada parecia estar bem.

- O que houve? – Arrisquei perguntar. Ela suspirou, caminhou até a cama e sentou na borda lateral, com joelhos unidos apoiando o queixo em ambas as mãos antes de responder. Parecia frágil e pequena e contra a vontade consciente meu instinto era de pegá-la no colo e consolar até que sua perturbação desaparecesse e ela sorrisse novamente. Imaginei qual seria a sensação de abraçar seu corpo miúdo contra o meu. Deveria ser como pegar ao colo um animalzinho, mas melhor. A pele dela seria mais suave e agradável que pêlos, por mais macios que estes pudessem ser.

- É uma festa de boas vindas e não um jantar com sua família como pensei. – Disse como se isto explicasse tudo.

- E isto é um problema? – Não consegui entender seu raciocínio. Sentei-me em uma das cadeiras da mesa para me impedir de ir até ela.

- Não me saio muito bem com festas. Tenho problemas com sons altos e além disto... Não conheço ninguém além de Antônio. Ficarei perdida no meio de todo mundo.

- São pessoas boas, simpáticas, gentis. Você vai os adorar e eles a você. Tenho certeza. Eu conheço todos, ainda que não seja íntimo de ninguém. E também não gosto de festas e som alto. Se te serve de consolo também me sentirei um peixe fora d’água. – E não estava dizendo mentira alguma. Também não sabia que era uma festa ou não teria aceitado.

- É? – Parecia duvidar.

- É – Respondi. – Podemos ficar juntos dando apoio um ao outro. Assim que você achar que ficamos por tempo suficiente ou que está em seu limite com o som, invento uma desculpa para irmos embora. O que acha? – Até mesmo eu fiquei surpreso com minha proposta. De onde saiu isto? Vim ansioso apenas para terminar o mais rápido possível aquele contato, esperando acordar amanhã novamente dono de meu eu e esquecido desta garota. Por que agora estava favorecendo uma aproximação?

- Hummm... – Considerou por alguns segundos e então pareceu decidir, levantando-se. – Está bem então. Obrigada. – E sorriu aquele sorriso da porta. Sorri de volta, meio bobo, extasiado com a mudança que se operava em seu rosto quando sorria.

- Adriel? Começamos mal, não foi? Desculpe por aquele dia na praia e por hoje também. Podemos recomeçar? Sou Maise, muito prazer. – Estendeu-me a mão, ainda sorrindo.

- Adriel, encantado. – Peguei em sua mão, que era muito pequena na minha e levei-a até meus lábios em um cumprimento mais gentil. Ela pareceu gostar, pois ficou apenas um instante em silêncio antes de rir baixinho, retirando a mão e dizendo: - Vamos então?

Concordei e ainda com a sensação de sua pele quente em minha mão, segurei a porta para que passasse e ajudei-a a entrar em meu carro.


Texto registrado no Literar

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