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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

9) Beleza de Perdição


Quando entrei no carro estava curiosa para saber como ele encaixaria aquelas asas enormes e o corpo ao mesmo tempo no assento, então fiquei observando. As asas atravessaram o encosto do banco e o assento, parecendo imateriais.

- Uau! – Soltei sem querer. Ele virou-se para mim.

- O que foi? - Interrogou.

- Suas asas atravessaram o encosto, ao contrário de seu corpo. Como faz isto? – Expliquei e perguntei ao mesmo tempo.

- Você vê asas em mim? – Ele pareceu chocado e ao mesmo tempo preocupado.

- Sim. Enormes e muito brancas. E você brilha também. – Acrescentei rápido.

- Dizem que artistas têm uma mente extremamente fértil, mas asas??? – Ele tinha demorado alguns segundos para dizer isto.

- Está insinuando que imagino as asas? E o que diz disto? – Estendi a mão para tocar as penas mais próximas. Meus dedos atravessaram o branco como se não existissem. Tentei pegá-las mais algumas vezes. Nada!

- Isto o quê? – Ele disse tentando não rir.

- Pare! Não posso tocar, mas estou vendo. Você sabe que estou dizendo a verdade! – Exclamei, mas não havia nada a fazer realmente. Não podia provar que existiam. Tinha certeza do que estava vendo e hoje estava descansada e tranqüila. Não poderia culpar um hipotético stress por esta visão. Mas, será que existiam mesmo? Estava começando a duvidar. Ninguém as via e seu dono estava negando existirem.

- Hum rum. - Ele concordou como se não quisesse discutir com alguém que via asas.

- “Droga! Será que estou mesmo imaginando coisas?” – Pensei sem saber mais o que dizer.

- Foi por isto que saiu correndo naquele dia?

- Foi. Pensei que era um Anjo da Morte que estava vindo para me levar ou que já tinha morrido

- Hahaha! – Ele riu com gosto sem conseguir mais se conter. Cruzei os braços no peito, furiosa, com vontade de estapeá-lo. Ele estava tentando se controlar e afinal conseguiu.

- Desculpe. – E piscou para mim. – Deve ser mesmo assustador ver um Anjo da Morte caminhando em sua direção – O canto de seus lábios tremeu com a risada presa. Não conseguiu por muito tempo e acabou rindo novamente. Fiquei olhando, tentando manter a raiva, mas era difícil. Seu riso era muito contagiante e estava quase rindo junto.

- Desculpe novamente. – Disse quando conseguiu parar, enxugando os olhos com as mãos. – Você falou algo a respeito de brilho?

- Não vou dizer mais nada. Você vai rir novamente.

- Certo. Esquecemos este assunto então? – Propôs.

- Por enquanto. – O que podia fazer? Continuava vendo suas asas e seu brilho. Não era ofuscante, de cegar, mas estava lá. Uma luminescência branca, por vezes prateada, como se uma nuvem de minúsculas lâminas destas cores o envolvesse. Era diferente e bonito. As pessoas deviam ser todas luminosas assim. Sorri ao imaginar um mundo colorido, cada um com sua nuvem.

Ele deu partida no carro e saímos devagar pela estrada já um pouco escura. Postes esparsos distribuídos ao longo do caminho não o iluminavam completamente.

- Antônio fez bem em pedir a você que me levasse. – Estava contente mesmo. Não apenas por isto. Tirando esta coisa das asas e do brilho era ótimo não estar só. E melhor ainda que fosse ele ao meu lado. Aproveitei que estava concentrado dirigindo para observar quietinha, sentindo o calor agradável que vinha de seu corpo e aquela beleza irreal.

Seus cabelos eram pretos e bagunçados. “Devem ser macios como nuvens” - Pensei. A pele tinha uma tonalidade diferente, branca e suave. Não parecia pele de verdade. Mesmo que não fosse transparente e parecesse ser sólida, achei que afundaria se a tocasse ou que minha mão atravessaria para o outro lado, como aconteceu com as asas. Então lembrei que ele tinha me tocado por duas vezes na cabana. Seu toque era firme e quente. Agradável.

Todos os traços eram perfeitos e harmônicos. Nada grande ou pequeno demais. Exceto os olhos, imensos, não sabia ainda se verdes ou azuis. Talvez uma mistura de ambos, como a cor do mar na enseada. Turquesa. E a boca, grande também e carnuda. O nariz bem feito, a testa reta, maçãs do rosto não muito proeminentes. Tudo na medida exata. “Perfeito.” - Pensei.

Pescoço alto, ombros largos, braços musculosos, mas não demais. Impressão de força e energia. O peito reto e poderia apostar como haveriam gominhos de músculos próximos ao abdomen.

“Ah, meu Deus, isto não vai bem!" – Fechei os olhos para readquirir equilíbrio antes de prosseguir. Pernas longas e grossas, certamente musculosas, e como os braços, não demais, apenas na medida exata.

“Até os dedos dos pés são bonitos! Estou perdida!” – Suspirei. Voltei o olhar para cima e Adriel estava me observando e sorrindo.

- Já terminou o inventário? – Perguntou. Abaixei novamente os olhos sentindo minhas faces queimarem. Então fiz a única coisa honesta e possível nesta situação: levantei os olhos, sorri abertamente e disse:

- Já. Você é mesmo uma perdição de lindo! – Que se danasse a compostura. Jamais conseguiria resistir a tanta beleza e se ele fosse mesmo um anjo o inferno era líquido e certo para mim.

Ele riu e o som de sua risada era uma música deliciosa.



Texto registrado no Literar

Imagem: montagem minha de Edward e asas de XerStock

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