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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

12) Descobertas


Antes que chegássemos à pista de dança Antônio nos chamou dizendo ter uma surpresa para Maise. Fomos até uma espécie de depósito, cheio de móveis velhos, livros e outros objetos. Apontou para um canto e mostrou um caixote grande, dizendo:

- Maise, não tenho muito mais a dizer sobre seu pai do que já contei ao telefone. Ele era muito discreto. Apareceu um dia, vindo de algum lugar ao sul e disse estar procurando um lugar que tivesse a luz certa para pintar. Hospedou-se na cabana que era minha na época e algum tempo depois fez uma oferta irrecusável. Declarou-se apaixonado pelo local e que estava pintando como jamais conseguira antes.

- Nunca falou sobre parentes ou recebeu visitas? – Ela quis saber.

- Não que eu tenha visto, ao menos. Ele permanecia semanas sem aparecer na vila. E quando vinha era mais para comprar mantimentos. Vez por outra dizia que precisaria ir até a cidade e algumas vezes enviou pacotes grandes pelo correio. Creio que eram suas telas.

- Você viu as pinturas?

- Vi várias. Eram muito bonitas. Embora eu não seja um grande entendedor, sabe? Só achava uma belezura. Foi por isto que trouxe vocês aqui.

- Por causa das pinturas? – Ela estava ansiosa agora.

- Sim. Um dia ele apareceu acompanhado de uma mulher muito bonita que eu nunca tinha visto antes. Disse que teria que viajar, que não sabia quando voltaria e pediu-me para cuidar da cabana enquanto estivesse fora. Foi tudo. Não me explicou nada mais. Subiu no carro com ela e se foram. O restante você sabe: nunca mais voltou e nem mesmo entrou em contato.

- Nem mesmo um telefonema?

- Não. Nada. Depois de algumas semanas, fui à cabana para arejar um pouco e percebi que devia ter saído apressadamente porque deixou vários objetos pessoais. Eu os trouxe para casa. Parecia mais seguro, entendem? E coloquei neste caixote. Aí tem várias pinturas e tudo que tirei de lá. Espero que encontre alguma informação. Nunca fiquei a vontade para olhar. Não parece certo remexer em coisas dos outros, concorda?

- Oh! – Maise olhou para o caixote, maravilhada. – Queria abrir agora!

- Melhor o levarmos para a cabana e lá você olha tudo com calma. O que acha? – Falei pela primeira vez.

- Sim, sim. Foi também por isto que te chamei Adriel. Para ajudar a levar e depois tirar. Está mais pesado do que parece. – Antônio demonstrou tentando erguer uma ponta.

- Adriel, você ajuda? Quero ir para casa agora. Estou ansiosa demais para ver tudo! – Ela implorou e é lógico que ajudaria.

Peguei o caixote facilmente e só procurei demonstrar alguma dificuldade para não desconfiarem de minha força. Antônio ajudou a apoiar em uma das pontas e voltamos à sala. Despedimos-nos e saímos logo após colocar o caixote no porta-malas do carro.

Imaginando como ela estaria ansiosa para chegar procurei dirigir o mais rápido que poderia. Ela estava agitada, pensando em voz alta. Ouvi apenas, concordando quando necessário.

Chegamos em instantes e ela correu para abrir a porta enquanto eu levava o caixote depositando-o ao pé da cama. Ajudei a abrir e me despedi. Por mais que estivesse curioso este momento era muito particular. Acho que ela nem percebeu minha saída, respondendo à despedida automaticamente, com a atenção totalmente presa aos papéis e objetos que se avistavam agora.

Voltei para casa insatisfeito. Perdi a oportunidade de dançarmos juntos e também de voltarmos conversando tranquilamente e sabendo mais.

Ela era completamente espontânea e totalmente transparente. Cativante. Encantadora.

Tinha imaginado que esta noite bastaria para acabar com meu interesse. Que engano... Agora estava ainda mais instigado e interessado.

Eu queria mais. Não queria ter ido embora. Queria estar lá ao seu lado, partilhando as descobertas, vendo seu rosto revelar as emoções que sentiria, mas era errado. Eu sabia disto e forcei-me a relembrar todos motivos para ser errado. Perigoso para nós e principalmente para ela. E, além disto, um anjo e uma humana? Não. Impossível.

Amanhã me concentraria no trabalho e a esqueceria.



Texto registrado no Literar

Imagem daqui.

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