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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

terça-feira, 9 de junho de 2009

15) Um gatinho em apuros


Acordei me sentindo um pouco dolorida por dentro, mas melhor, mais conformada. Meus pais estavam mortos e isto não mudaria. Aquela etapa feliz de minha vida havia acabado. Agora era tentar buscar o melhor para esta nova vida que começava. Estava neste lugar especial, sentia-me em casa e isto já era algo. Melhor do que estar na cidade onde me sentia tão só. Aqui tinha Antônio e os aldeões que foram receptivos e hospitaleiros. Tinha um espaço aberto, era só querer preencher. E por enquanto ao menos, era aqui que ficaria. Tinha paz e aconchego. E Adriel, lógico.

Fiquei pensando nele enquanto preparava meu café da manhã e depois quando o tomei na varanda. “Que gracinha é!” – Lembrei de sua gentileza ontem comigo, em todos os momentos.

“E o tratei de forma tão displicente, enquanto ele foi um perfeito cavalheiro. Até beijou minha mão e abriu a porta do carro! Meu Deus, que homem! Bom... Sem contar que é um gato! E que gato!!!” – Lembrei dos detalhes todos de seu rosto e de seu corpo e decidi pintar mais um pouco.

Aliás, não queria saber do passado por hoje. Amanhã voltaria ao baú. Hoje viveria o presente. Não teria forças para outro embate emocional e só por decidir isto já senti alguma melhora em meu ânimo.

Primeiro um banho, depois arrumar a casa, lavar roupas e fazer – ao menos tentar – uma comidinha gostosa e finalmente praia e pintura. Sim. Era o que precisava por hora.

- Ahhhhh!!!!!!!! – Levei mesmo um tremendo susto ao ver meu rosto no espelho após o banho. Meus olhos pareciam duas naves espaciais de tão inchados e roxos por conta do choro noturno. “E se encontrasse com Adriel na praia? Que vergonha!” – Fiquei um tempão passando compressa de pano gelado até que ele parecesse melhor.

Arrumei a casa rapidamente e depois lavei as roupas. Principalmente o pijama. “Aff!!! Só mesmo você, Maise, para dormir com um pijama com 20 anos de pó acumulado!” – Acabei rindo sozinha ao me lembrar de ontem.

Decidi fazer e fiz, seriamente agora, uma lista com minhas prioridades de compra para a casa. Por menos tempo que ficasse ali não poderia continuar vivendo sem eletrodomésticos básicos como microondas, lavadora de roupas, aparelhos de som e TV. “Hum... Será que aqui pega algum canal de TV?” – inclui uma antena por via das dúvidas. Teria que ver com Antônio estas coisas.

Cansada de rodear encarei a cozinha ou deveria dizer o dragão com a boca escancarada prestes a me queimar em labaredas de fogo?

Resumindo: o arroz ficou um grude total, a carne uma salmoura só e acabei me contentando com a salada mesmo. Anotei na lista de prioridades um livro de receitas, tratei de sumir rapidamente com os vestígios de meu fracasso e feliz por ter dado cabo de minhas atividades obrigatórias fui para onde o prazer se encontrava: praia e pintura.

Passei a tarde pintando e quando estava muito quente mergulhava para me refrescar. Adriel estava ficando bom, mas queria pintar tendo o modelo à minha frente e não minha imaginação apenas. Será que ele não viria à praia hoje? Esperei com alguma ansiedade, mas até o final da tarde nem sinal dele. Tentei não me sentir tão decepcionada. Amanhã acordaria bem cedo e talvez o visse no nascer do sol.

Estava guardando meus materiais quando ouvi um gato miando.

- Estranho. Tem um gato aqui? – Agucei o ouvido para descobrir de onde vinha. Era lá fora. Fui seguindo o som até a árvore imensa que tinha um pouco antes da cabana. Lá estava o danado. Um gatinho pequeno.

- O que foi gatinho? Não consegue descer? Espera que vou aí te pegar. – Procurei falar enquanto me preparava para subir. Não queria o espantar. Era tão bonitinho. Não adiantou. Quando subi um galho, ele pulou para o próximo.

- Droga! – Praguejei sem querer. Continuei falando carinhosamente com ele e subindo, mas quanto mais eu subia, mais ele subia também.

“Bom... Uma hora esta árvore tem que terminar e então eu o pego!” – Contente com o raciocínio, continuei subindo. Estava quase no topo agora e era bem alto. Nem iria olhar para baixo por enquanto. O gatinho estava encurralado no último galho. Não tinha mais para onde fugir. Parei e falei um pouquinho mais, bem baixinho. Preparei-me para subir.

Ele pulou em meu rosto! E começou a me unhar! Eu estava em pé e perdi o equilíbrio. Por um triz não caí. Consegui agarrar-me ao galho, mas fiquei suspensa pelas mãos. Meu coração estava acelerado com o susto do pulo do gato e com a quase queda, mas segurei firme. Estava próxima ao tronco. Era só avançar um pouco com as mãos e depois escorregar apoiada no tronco até o próximo galho, abaixo.

Quando comecei a fazer isto, o gatinho que tinha se afastado para a ponta do galho, começou a se aproximar novamente. E quando estava perto, mudou. Virou uma mulher esquisita, com cabelos brancos e orelhas pontudas.

“O que é isto!” – Fiquei apavorada por ver sua expressão fria e má. Ela pisou em meus dedos. Segurei a dor, mas não ia agüentar muito tempo. Eu ia cair! E morrer!

- Adriel!!! Socorro!!!

“Ah, meu Deus, por favor, por favor, faça com que ele esteja perto e ouça!”

– Adriel!!! Socorro!!!


Texto registrado no Literar

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