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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

16) Ternura


Ao chegar em casa encontrei Liah, o anjo responsável pela terra, fauna, flora e Elementais deste principado (*). Apesar de não sermos tão íntimos ele era o mais próximo de um amigo que tinha por aqui.

- Hei, Liah. Tudo bem? – Estava contente em o ver antes de partir. Apertamos as mãos amigavelmente.

- Hei, Adriel. Soube que está indo para Celes. Gostaria que levasse algumas espécies novas que andei coletando. Pode ser?

- Claro. O que quiser. – Ele estava sempre em busca de mutações genéticas em plantas que enviava para estudo de nosso grupo de cientistas.

- Obrigado. E você? Qual o motivo da viagem? Aconteceu algo novo? – Provavelmente estava se referindo ao meu trabalho.

- Não. Estamos naquela fase de calmaria que antecede as grandes tempestades e quero aproveitar para desintoxicar um pouco enquanto ainda posso. – Seria bom falar com alguém sobre Maise, mas ele entenderia?

- Está pesando?

- Um pouco. Tenho andado meio confuso com alguns sentimentos e penso que possa ser por conta da influência das energias da Terra que absorvo. – Deveria continuar?

- Posso ajudar em algo? – Ele tinha o semblante inalterado, mas poderia jurar que estava intrigado, pois eu jamais reclamara de estar confuso e menos ainda de sentimentos.

Pensei um breve instante antes de decidir continuar. Pela proximidade com a Terra ele estava em condições de entender melhor do que qualquer um em Celes ou na Terra. Encaminhamo-nos à sala e após nos sentarmos, contei sobre Maise e tudo o que vinha sentindo desde que a conhecera.

- Adriel, você está apaixonado! – Exclamou e sinceramente não entendi o motivo de seu sorriso de contentamento.

- Liah, não sou um humano, sujeito a estes sentimentos limitados. Ultrapassamos esta fase do amor individual e amamos igualmente todos os seres viventes. Você sabe disto. Então, como posso estar apaixonado?

- Você nunca teve uma alma com a qual se identificasse? Em toda sua vida, não houve ou há alguém?

- Não. Ao menos não me recordo. Quase todos em minha família têm um par, mas são relações antigas, que se estreitaram e fortaleceram através de diversas vidas. Não conheço nenhum anjo que tenha “se apaixonado” de repente.

- Exceto...

- É verdade. Alguns anjos da guarda se apaixonam pelos seus protegidos, mas é diferente. Primeiramente existe uma razão para estarem nesta posição. Normalmente são laços antigos já. E, além disto, o sentimento nasce após um período de observação e convivência. É bem diferente de meu caso.

- Hummm... Será? Quem garante que os laços entre você e esta moça não sejam antigos também. E que apenas estejam agora se reconhecendo, mesmo sem a lembrança total? – Liah estava pensativo.

- Não. Lógico que não. Minha memória não tem travas. Se não me recordo de alguém, não é porque a lembrança esteja bloqueada e sim porque não houve ninguém importante. Sei disto!

- Bom. Supondo que seja verdade, resta a possibilidade de serem espíritos afins. Não têm uma estória comum porque ainda não tinham se encontrado, mas se a afinidade existe, basta que estejam próximos para se reconhecerem. – Concluiu.

- Enfim, isto não importa realmente. A questão é que não tem como. Não é possível! Sou um anjo e ela uma humana.

- E você não pode fazer como os outros, desistir da imortalidade e descer para viver com ela como humano? Você gosta tanto da Terra e dos humanos, não creio que seria tão grande sacrifício para você. – Liah estava certo nesta questão, mas não nas outras.

- Bom, supondo que ela também estivesse apaixonada por mim e não tenho a menor informação sobre isto e que depois de algum tempo quiséssemos isto, você sabe do meu trabalho como Caçador de Demônios. Sou talvez o único anjo que nunca poderá voltar a ser humano. Não duraria nada. Os demônios me encontrariam quase que imediatamente e não poderia me defender sem meus poderes celestes. Seria massacrado em instantes ou aprisionado, torturado e nem sei mais o quê. O pior não é isto e sim que mesmo continuando anjo, se me envolver com Maise e eles ficarem sabendo vão atacá-la para me atingir. Entende porque é impossível?

Continuamos conversando ainda por um tempo. Liah tentava argumentar, procurar soluções, mas o que? Não via solução. Aquele sentimento era fruto de um sonho, uma fantasia que jamais poderia se tornar realidade. Era apenas a voz de minha solidão e do desejo de ter alguém como todos de minha família. Alguém com quem pudesse conversar ou até ficar quieto, mas que estivesse ali, comigo.

Estávamos já nos despedindo quando ouvi claramente a voz de Maise em minha mente.

- Adriel!!! Socorro!!!


- Maise! – Mal disse isto e já estava voando pelas portas da sala, em direção à varanda e à sua casa. Nem expliquei à Liah e muito menos vi o sorriso de compreensão que surgiu em seu rosto.

Cheguei em instantes na sua casa, voando o mais rápido que pude. Onde ela estava? A casa estava aberta e vazia.

- Maise! Onde está? – Gritei em todas as direções, preocupado.

“Por favor, chame novamente.” - Eu teria chegado tarde demais?

– Adriel!!! Socorro!!! – Vinha do oeste. Segui para aquela direção, mas ainda não a via.

- Maise! Onde está? Fale mais! – Gritei novamente, esperando que ouvisse e respondesse.

- Aqui Adriel! Olhe para cima! Depressa! – Olhei para o topo da imensa árvore e gelei. Ela estava pendurada apenas por uma mão em um dos galhos mais altos.

Voei até ela no exato instante em que caiu e a peguei já no ar, despencando. Ela se agarrou em mim, chorando e tremendo.

- Adriel! Ah, Adriel! Você ouviu! Você veio! Obrigada!

E me agarrou ainda mais, seus dedos prensados tão firmemente em minha camisa que já deveria tê-la perfurado. Seu rosto estava todo ferido e sangrando. Suas mãos e pernas também estavam com machucados. O que teria ocorrido ali?

- Tudo bem. Acabou. Você está salva. Nada mais vai acontecer. Fique tranqüila. Acabou.

- Adriel, foi horrível! Tinha um gatinho e fui tirar ele de lá, mas não era um gatinho. Era uma bruxa! Ela me odeia! Vi no seu olhar. Ela queria que eu caísse e morresse. E teria morrido se não fosse por você!

Do que ela estava falando? Gatinho, bruxa? Não havia gatos aqui. Eles evitavam nossa região. E bruxas? Como assim? Será que ela estava em choque? Delirando?

Depois pensaria nisto. Estava chegando em casa já. Ela precisava tomar algo para se acalmar primeiro.

- Calma, querida. Depois me conta tudo, está bem? Pense que está comigo, a salvo e segura. Nada mais vai acontecer. Fique tranqüila. Passou. Acabou.

Entrei pela mesma porta e Liah ainda estava lá, sentado, aguardando. Passei por ele rapidamente a caminho do quarto de hóspedes e disse:

- Ela está ferida. Pode, por favor, chamar Tana? Depois nos falamos. – Tana era uma espécie de governanta de minha casa. E fada. Ao me lembrar disto, voltei e emendei: - Como humana, diga-lhe – Por hoje já bastava uma bruxa e me ver voando para Maise.

Entrei no quarto e a coloquei com cuidado na cama. Ao menos tentei. Não consegui desgrudar seus dedos de minha camisa. Ela ainda chorava e tremia muito. Sem outra opção, encostei-me na cama com ela ao colo.

- Tudo bem, pequena. Tudo bem. Relaxe. – Fiquei repetindo estas palavras, enquanto acariciava seus cabelos.

Com cuidado fui deitando-a na cama e consegui cobri-la. Aos poucos foi parando de tremer e o choro diminuindo, mas ainda não me soltava. Adormeceu com os dedos enroscados e firmes na mesma posição, prendendo-me.

Fiquei observando sua forma pequena e indefesa, cheio de ternura pelo rosto delicado, mesmo assim tão ferido.

“Quem a teria machucado? Teria já algum demônio descoberto o que eu mal conseguia admitir para mim mesmo? Teria sido por minha culpa que ela quase morrera?”

* = De acordo com a Cabala, os anjos estão organizados em 9 Hierarquias Angelicais: Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Potências, Virtudes, Principados, Arcanjos e Anjos. Fonte: Terra Esotérico. Liah pertence à 3a. hieraquia, Principados, acima de Anjos e Arcanjos.


Texto registrado no Literar

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Imagem: encontrada na net sem indicação de autoria

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