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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

sábado, 13 de junho de 2009

17) Café da manhã com Adriel


Ao abrir os olhos a primeira coisa que vi foi Adriel, sentado em uma poltrona na lateral da cama, parecendo adormecido. Fiquei alguns instantes admirando-o. Como era possível que fosse ainda mais belo de olhos fechados?

- Adriel. – Chamei baixinho. Ele abriu os olhos e sorriu, levantando-se e vindo para mais perto.

- Oi. Tudo bem? – Perguntou. Lógico que estava tudo bem. Como não estaria acordando com esta visão e se ele sorria daquele jeito? Queria acordar assim todos os dias de minha vida.

- Sim. Tive um sonho esquisito. Não me recordo direito. Parece que tinha um gatinho. – Não ia contar que ele me salvava de uma queda e que me agarrava a ele como cola super bonder e menos ainda do quanto tinha gostado de estar em seus braços.

- Onde estou? É sua casa? Por quê? – Olhei para o quarto, admirando a elegância da decoração em tons pastéis, com alguns toques de rosa. Clássico e feminino, sem exageros. Só podia ser sua casa, mas duvidava que fosse seu quarto.

- Não foi um sonho, Maise. Aconteceu de verdade. Não fique preocupada. Você está segura, agora. E sim, é minha casa. Está em um quarto de hóspedes. Aqui podia cuidar melhor de você – Falou tudo isto pausadamente, sentado na lateral da cama e com uma das mãos tocando meu punho, como se me tranqüilizando.

Lembrei então de tudo, de subir até o topo, do gatinho unhando meu rosto, de ter se transformado em uma bruxa e de Adriel, surgindo no momento exato em que estava caindo. Recordei envergonhada que realmente tinha agarrado-o quando estava voando em seus braços. “Peraí! Voando?”

- Hummm... Então foi real? Pensei que era minha imaginação fértil de artista. – Não consegui resistir a esta pequena ironia. Ele gargalhou.

- E eu preocupado que estivesse abalada emocionalmente! Você é incrível, Maise.

- Quer dizer que não apenas tem asas como voa? Você é um anjo ou algo parecido?

- Algo parecido. – Disse lacônico, mas não estava disposta a encerrar o assunto.

- Como assim?

- Vou explicar depois, prometo. Agora não é hora. Deve estar com fome e sede e precisamos cuidar de seus machucados. O que acha de tomar um banho e me encontrar na varanda? - Estava mesmo com fome, sede, com vontade de ir ao toalete e só por isto concordei.

- Ok. Não pense que vou esquecer. Você prometeu. – Levantei assim que a porta se fechou. No banheiro igualmente elegante foi impossível não me ver inteira no imenso espelho. Eu parecia uma indigente atropelada! O rosto, além de todo arranhado e inchado, tinha rastros de sangue seco, as pernas e braços estavam machucados e as roupas sujas e rasgadas.

- Meu Deus! E pensar que ele me viu assim! Que horror! – Tomei banho com cuidado para não machucar mais, coloquei roupas que encontrei no quarto – “Que gentil! Deve ter ido buscar enquanto eu dormia!” – E saí à procura da varanda. Passando pela sala, admirei mais uma vez seu bom gosto.

Era dia claro. Dormi toda a noite? Na varanda ele estava esperando próximo a uma mesa farta, linda e com flores. Segurou a cadeira enquanto me sentava.

- Coma, querida. Depois do café, Tana, minha assistente, cuidará de seus machucados. Ela tem uma poção milagrosa e logo não haverá mais o menor sinal em seu rosto, não se preocupe. – Ele deve ter notado o quanto estava envergonhada pela minha aparência grotesca.

Enquanto comemos, contei-lhe todos os detalhes de minha subida na árvore. A esta altura dos acontecimentos, tomando café da manhã ao lado de um anjo com imensas e brancas asas, não parecia tão irreal e tudo era perfeitamente possível e normal, até mesmo gatinhos que viram bruxas.

- Adriel, obrigada. Por ter chegado na hora certa, por ter me salvo e agora, todo este cuidado. Você é muito gentil. Muito obrigada mesmo!

- Maise, não tem porque agradecer. Fico feliz em ter ouvido seu chamado e ter chegado a tempo. Fico arrepiado só em pensar o que teria acontecido...

- Você sabe quem tentou me matar? E por quê? – Quando pensava nisto seriamente, sentia medo.

- Não, querida. Não tenho a menor idéia, mas estou fazendo o possível para descobrir. – Ele me chamou de querida, de novo???

- Você acredita em mim, não é? – Tinha que perguntar isto.

- Vi você lá, Maise. Não penso que teria subido até aquele galho e se pendurado por vontade própria. Por mais que pareça inacreditável, só pode ser verdade e temos que saber quem foi e a razão. Você tem alguma suspeita? Deixou alguém em sua cidade que a odeie a este ponto? Está fugindo de alguém?

- Não. Lógico que não. Também não conheço ninguém capaz de se transformar. Aliás, até vir para Portal do Sol, nunca acreditei nestas coisas. Até conhecer você, aliás.

- Ah, sim. Claro. – Ele fugiu da deixa, não parecendo disposto a conversar, pensativo. Tudo bem, eu podia esperar.

Terminamos o café e fomos para a sala. Ele chamou por Tana, que entrou rapidamente.

Tana era uma senhora de meia idade. Um pouco acima do peso. Cabelos em coque, óculos, vestido até os joelhos e avental.

- Oh, pequena, como vai? Dormiu bem? O café estava bom? – Pegou minhas duas mãos, olhando-me inteira e continuou antes que pudesse responder. – Está tão magrinha. Não deve estar se alimentando bem naquela tapera miserável onde está vivendo. Pobrezinha!

Falando sem parar foi levando-me até o sofá onde deitou-me. Abriu a cesta que trouxera e tirou alguns potinhos que colocou na mesinha próxima. Mandou fechar os olhos e senti que estava passando algo pelos ferimentos do rosto e depois das pernas e braços. Examinou a barriga para ver se tinha machucados lá também e por fim, o colo. Pegou em meu medalhão e parou subitamente com a enxurrada de palavras. Abri os olhos e ela estava observando-o fixamente.

- Onde conseguiu isto, menina? – Perguntou com voz séria.

- Ganhei de minha mãe em meu aniversário. – Respondi intrigada. – Por quê?

- Bonito. Agora não se preocupe mais com nada. Já cuidei de todos os machucados. Espere algumas horas e depois tome outro banho para tirar a pomada.

- Sim. Obrigada. – Estranhei sua mudança. Adriel e ela trocaram um olhar esquisito, como se estivessem conversando e ambos pareciam contrariados. Despediu-se rapidamente e saiu.

- Adriel, o que houve? Ela conhece meu medalhão?

- Nada, Maise. Não se preocupe. Tana é assim mesmo. Pode aguardar aqui um instante? – Saiu pela mesma porta atrás de Tana.

Estranho. Era a segunda vez que alguém tinha esta reação ao ver o medalhão. O que disse a mulher na casa de Antônio? Que era o símbolo da proteção das Fadas?

Fadas! Era só o que estava faltando. Afinal, depois de anjos e bruxas o que haveria demais em fadas? Nada, absolutamente nada! Era mesmo de se estranhar que ainda não tivesse topado com uma. Este lugar era mesmo surreal ou eu é que estava endoidando sem perceber?

Para falar a verdade, se endoidar significava ser chamada de querida por um anjo maravilhosamente belo com um sorriso estonteante que me deixa com borboletas no estômago e pernas trêmulas... Bom... Talvez as pessoas valorizassem demais isto que chamam de sanidade.



Texto registrado no Literar.

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