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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

22) A verdade sobre Adriel



- Maise! – Ela não estava à vista, mas assim que chamei apareceu na porta da varanda.

- Humm... Você está lindo com estas calças jeans e camiseta preta. Sabe que é minha roupa predileta? – Perguntou despudoradamente como sempre, enquanto pegava meu braço e levava-me em direção à mesa. Sentamos.

- Você também está linda hoje. Mais do que linda, deslumbrante. – Sentia cheiro de Tana neste jantar. O que estava acontecendo aqui? - Querida, o que estamos comemorando?

- Decidi ficar em Portal do Sol. Não vou mais voltar a morar na cidade. Quero ficar com você e Tana, no lugar onde meus pais se conheceram. Quero ficar aqui. É meu lugar. Não acha que merece uma comemoração?

- Você só está aqui há algumas semanas. Não é pouco tempo para uma decisão tão importante?

- Não tenho nada na cidade mais importante do que o que tenho aqui.

- E a faculdade? Fará falta para você em sua pintura e talvez futuramente em sua carreira.

- Não. Meus professores não se incomodarão de continuar orientando por email, caso possa ir até lá algumas vezes para mostrar a evolução de meu trabalho.

- Querida, tem certeza? É tão distante da civilização, está isolada até mesmo da vila. Não é saudável.

- Adriel! Você não me quer aqui? É isto? – Vi em seus olhos a mágoa.

- Não, Maise! Você sabe o quanto gosto de sua presença. Estou pensando em você, no seu futuro.

- Meu futuro é com você, Adriel. Não quero outro. – Os olhos já estavam úmidos e o apetite para o jantar parecia perdido, de forma que levantei, peguei em sua mão e fomos para o sofá.

- Maise, amor. Queria tanto, mas não existe futuro para nós. – Disse isto com cuidado, enquanto acarinhava seus cabelos.

- Porque não, Adriel? Porque não podemos continuar deste jeito para sempre? Somos felizes aqui. – Uma lágrima ameaçava cair de seus olhos marejados.

- Por tantas coisas. Para começar sou um anjo. Não sei quanto tempo permanecerei aqui e quando terei que retornar para minha cidade. Lá meu futuro já está definido e não existe espaço para este tipo de amor. Não posso iludir você, deixar acreditar em algo que pode ter fim amanhã.

- Você irá embora? – As lágrimas que segurava caíram pelo seu rosto delicado. Não gostaria nunca de vê-la chorando, mas saber que eu tinha as provocado era ainda pior. Queria apagar minhas palavras e fazer de conta nem que fosse por uma única vez que era humano como ela, jantar dizendo amenidades e depois beijá-la até saciar esta fome selvagem, mas não seria correto.

- Vivo já há milhares de ano e conquistei há tempos a imortalidade. Não preciso mais passar por vidas em planetas como a terra. A evolução que resta é tornar-me cada vez mais imaterial e fundir minha consciência à de outras em igual estágio, deixando de ser uma “pessoa” e passando a ser parte de um coletivo.

- Como assim?

- Digamos que toda energia têm que passar por determinados estágios desde o momento em que se origina como centelha imperfeita, promessa de vida, até o momento em que retorna à fonte que a gerou como centelha novamente, mas desta vez, de luz perfeita. De pedra bruta a diamante lapidado. É este o ciclo que mantém a fonte da vida em constante fluir. Entende?

- Acho que sim.

- Ultrapassei quase todos os estágios evolutivos enquanto consciência individualizada, que é o que chamamos de “eu”. Somente os “eus” possuem corpos. Deste ponto em diante vamos perdendo o corpo e a individualidade. Deixamos de ser “um” e passamos a integrar o “nós”. É uma união de mentes na mesma sintonia que formam uma mente mais poderosa, capaz de agir mais efetivamente pelo universo através da vibração potencializada.

- Mas isto é como morrer!

- De certa forma. Morremos como individualidades, mas prosseguimos enquanto essência.

- Não, Adriel. Você não pode!

- Antes de vir para a Terra era meu destino, querida. Ao perceber que não estava pronto, os conselheiros deram-me esta tarefa. Não tenho um prazo delimitado, mas não penso que poderei continuar indefinidamente aqui, desta forma. Mesmo o que faço para parecer humano é algo novo. Ninguém sabe por quanto tempo poderei continuar mantendo esta forma.

- Como assim, “parecer” humano?

- Meu corpo real é feito da mesma substância de minhas asas. É tão leve que parece imaterial para os humanos. Não sei como você consegue vê-las. Ninguém da Terra consegue. Para que consigam me ver e ouvir utilizo o mesmo recurso que todos os anjos que necessitaram ser vistos utilizaram no passado: absorvo energias mais pesadas do planeta. Elas preenchem os vácuos de minha matéria fluídica dando-lhe aparência e consistência de corpo, apesar de não ser carne, pele e ossos de verdade.

- Não? – Tocou meu braço, incrédula.

- Não. Tem a mesma forma e funciona como corpo humano, mas não é. Mantém-se pela vontade apenas e quando quero posso desfazer-me do excesso acumulado e retornar à imaterialidade e transparência. O que ocorre é que estas duas etapas, tanto a materialização quanto a desmaterialização são desgastantes e doloridas. Serve bem quando é feito eventualmente, mas quando é constante fica impraticável.

- E é por isto que você fica sempre da mesma forma?

- Exato. Quando surgiu esta tarefa deparamo-nos com a dificuldade de ter que materializar-me constantemente para ser visto e ouvido pelos humanos. A saída que imaginamos foi manter-me materializado pelo maior tempo possível, embora ninguém soubesse como se daria isto na prática, uma vez que nunca foi feito.

- Nunca?

- Nunca. Nos primeiros tempos foi difícil ter estas energias pesadas impregnadas em meu corpo. É como se estivesse poluído. Aos poucos fui acostumando-me e hoje nem percebo direito. Também, no início ia mais a Celes, minha cidade no astral. Comecei a espaçar as viagens porque demorava a adaptar-me tanto lá quanto aqui, no retorno. Agora já estou há quase um ano aqui, mas terei que visitar Celes o mais breve possível. Devo fazer os testes clínicos para avaliar as condições de meu corpo astral e também falar com os conselheiros sobre o andamento de meu trabalho.

- E qual é seu trabalho? – Não queria falar sobre isto. Ela iria chorar novamente.

Nota: Embora este não seja um romance religioso, sendo o personagem principal um anjo não tenho como explicá-lo sem entrar neste campo. O que Adriel menciona neste post e no seguinte é baseado em conceitos comuns à várias correntes espiritualistas. Para quem se interessar, apenas como exemplo, cito o Espiritismo de Allan Kardec ou consultas na net sobre os 7 planos astrais e os 7 corpos humanos. Sobre estes últimos um livro sensacional é Mãos de Luz de Barbara Ann Brennan.

No que diz respeito à materialização, o processo em si é baseado nos conceitos já mencionados, mas sua manutenção por tempo prolongado é uma extrapolação à teoria que foi necessária para a estória.


Texto registrado no Literar.

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