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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

domingo, 19 de julho de 2009

34) Saudades


Acordei com a entrada ruidosa de Tana. Adriel não estava. Era a primeira vez após dias que acordava sem ele ao lado e sua ausência soava como um estrondo abafado à espera de irromper. Pensei no menino da fábula, que por horas tentara tampar com os dedos os furos que se abriam no dique para que este não se rompesse e senti-me como ele.

Sabia que estava sendo irracional. Faziam apenas algumas horas que ele partira e estaria de volta em poucos dias, mas meu coração e corpo pareciam não entender isto por conta de algum erro de processamento entre minha mente e eles.

- O que foi, menina? Saudades já? – Tana perguntou ao ver que continuava deitada com os olhos fechados.

- É. Estou com saudades sim e com medo de que não volte. Ah, Tana, estou com tanto medo! – Comecei a chorar ao reconhecer o sentimento por trás da boca seca e da bola no estômago.

- Boba! Veja o que ele deixou para você. – Ela mostrou o anjo de origami e o bilhete. – Ele te ama e estará aqui antes que imagine. Eu sei. Já foi outras vezes e voltou muito rápido. Vamos, anime-se. Levante, vá tomar um banho que vou fazer um café da manhã gostoso para você.

Após o banho senti-me algo melhor e o café da manhã estava realmente maravilhoso. Tana fez tudo que eu gostava: tapiocas doces e salgadas, suco de frutas, iogurte e ainda mimou-me como o dia inteiro.

Fui com meus materiais à praia de manhã, mas não consegui pintar direito. Desisti e fiquei apenas nadando, tomando sol e pensando.

“Como acontece isto de conhecer alguém e em tão pouco tempo tornar-se tão importante que a vida perca o sentido sem ela?” – Era mesmo absurdo, pensei lembrando que vivi 20 anos sem conhecer Adriel e que poderia nunca ter conhecido se não tivesse vindo para Portal e agora, viver sem ele era inconcebível.

Aquele estado depressivo não iria ajudar em nada e resolvi pensar apenas em seu retorno. Fantasiei com sua volta em milhões de formas diferentes. Em todas trazia a boa notícia de que ficaríamos juntos para sempre.

Entretida escolhendo a melhor de todas as fantasias e ouvindo a matraquice de Tana, a tarde acabou passando sem que sentisse tanto. Lembrei dos diários de papai e sentei na cadeira para ler o penúltimo volume, o que não foi realmente uma boa idéia.

Papai estava ainda mais deprimido que eu. Fazia já duas semanas que mamãe se fora após a briga que tiveram e ela não retornara. Ele não conseguia pintar e nem fazer nada além de pensar nela e procurá-la por todos os lugares vizinhos, sem o menor sucesso. Estava desesperado e impotente. Não comia e nem dormia direito a dias.

Uma tarde uma mulher bateu à sua porta. Era jovem, bonita e vestia-se de forma semelhante a de Luna, minha mãe. Ela disse chamar-se Eileen, que era amiga de minha mãe e que trazia notícias dela. Papai convidou-a a entrar.

Eileen disse que mamãe contara à sua mãe sobre papai e que esta ficara furiosa e a trancara em seu quarto onde deveria permanecer até o casamento que seria dali a poucos dias. Disse que mamãe tentara fugir e não conseguira e que estava desesperada por medo dele ir embora pensando que o esquecera.

A mulher disse que poderia ajudar minha mãe a fugir, mas que antes tinha que saber com papai se ele estava disposto a fugir com ela, pois os guardas iriam atrás de minha mãe tão cedo percebessem sua fuga. É lógico que papai estava disposto. Era tudo o que ele queria.

Eileen fez com que prometesse que iriam para bem longe e jamais entrariam em contato novamente. Disse que mesmo casados e após muito tempo, a mãe de Luna iria querer seu retorno a qualquer custo. Papai prometeu e ela se foi, dizendo que aguardasse mais dois dias no máximo. E este foi o final do diário.

Antes de começar o último, fiquei pensando nesta Eileen. Quem seria? Alguma aldeã de Portal? Será que a encontraria? Até o momento era a única pista que tinha e tentaria descobrir.

Tana entrou neste momento. A tarde já terminava e disse que ficaria comigo esta noite. Lembrei-me da promessa de mostrar suas asas.

- Tana, deixa ver você como fada? Lembra-se que prometeu? Posso ver?

Ela ficou pensativa alguns segundos, acenou afirmativamente com a cabeça e desapareceu. Olhei para cima de minha cabeça e ela estava lá, voando e rindo escancaradamente. Suas asas eram mesmo parecidas com as de borboleta, furta-cor em tons de violeta e dourado.

- Tana, que graça! Adorei. Os outros são bonitos assim como você? Quer saber tudo, conta?

- Ah não, menina. Prefiro que veja com seus próprios olhos. Vai mesmo visitar Etera amanhã?

- Vou sim. À tarde. De manhã quero terminar de ler o diário de meu pai. Você já falou com a rainha?

- Já, mas amanhã volto lá para acertar os detalhes. Diga-me uma coisa, menina, estes diários de seu pai, o que são?

- Ah, são as anotações dele, da época em que morou nesta cabana. Você sabia, Tana, que meu pai conheceu mamãe aqui?

- É mesmo? E como era o nome de sua mãe?

- Luna. Tana, você vive aqui faz tempo. Não conheceu meu pai ou minha mãe? Meu pai chamava-se Arthur. Lembra dele ou dela?

- Conheci sua mãe. Quando vi você pela primeira vez reconheci os olhos dela, mas não tinha certeza até agora, quando disse seu nome.

- Tana! E só agora me diz isto? Quero saber tudo.

- Não, menina, agora está tarde demais. Durma e amanhã, quando formos a Etera, prometo que saberá tudo.

- Ah, Tana, por favor, conta agora. Vocês eram amigas? Sabe de onde ela veio e quem era sua mãe? Ainda vivem aqui?

- Nada disto, mocinha. Esta será uma conversa longa e já está tarde. Maise, prometo que saberá tudo amanhã.

- Chata! Boa noite. – Mesmo não contando nada, estava contente. Hoje o dia fora produtivo com relação aos meus pais. Dormi pensando na volta de Adriel e imaginando uma igreja cheia de parentes em nosso casamento.


Texto registrado no Literar.

Imagem daqui.

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