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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

36) Encruzilhada


“Esqueça a Terra!“ – Estava com aquela frase girando sem parar em minha cabeça desde que foi dita por Kalel. – “Como se fosse possível!” – Pensei recordando o rosto de Maise em vários momentos e expressões.

Após o choque de meu despertar em Celes pedi para falar com Hayel, o conselheiro chefe do projeto e também meu orientador pessoal. Foi ele quem ofereceu este trabalho na Terra e esperava dele não apenas explicações como soluções.

- Adriel! Desculpe não ter vindo antes. Estava em meio a uma explosão em outro projeto e também quis aguardar pelos resultados dos exames.

- Olá, Hayel. Quer dizer que já saíram? Sabem o que exatamente ocorre comigo?

- É lógico que ainda estão aprofundando os testes, mas o resultado preliminar está pronto.

- E???

- Bem, estão de acordo com as suspeitas iniciais. Tanto tempo impregnado com as energias da Terra acabaram por intoxicar e viciar seu corpo fluídico. Você não deveria ter permanecido tanto tempo sem retornar. Pedi-lhe tantas vezes para vir com freqüência, Adriel!

- É, eu sei. Estava tão envolvido com o projeto que fui adiando, adiando e nem vi o tempo passar. É apenas isto que tenho?

- Infelizmente não. Ao que parece esta interação das energias dos dois planos promoveu uma alteração na estrutura química de seu corpo e ele agora é uma fusão de ambos.

- Não entendi.

- Em outras palavras: não pode mais ficar imaterial. Seu estado normal agora é materializado. Seu corpo fluídico é como um imã para as energias da Terra. Você somente está conseguindo manter-se longe delas por estar tão distante e isolado dentro desta sala, mas se sair daqui elas o alcançarão.

- E materializado não posso permanecer em Celes, porque sou pesado demais para o ambiente leve daqui.

- Exatamente. Nem sei como conseguiu chegar. Foi quase um milagre e não acredito que possa fazer o mesmo novamente. Ouça bem, Adriel, se sair de Celes não conseguirá voltar nunca mais.

- E quais são as opções? Devo viver neste quarto protegido pelo resto da eternidade ou renunciar à Celes e viver na Terra? É isto? Devo escolher entre os dois mundos? Porque se for, minha escolha já está feita e quero ficar na Terra.

- Não é tão simples assim, Adriel. Se voltar à Terra estará selando esta união entre seu corpo fluídico e as energias da Terra e o que quer que aconteça com seu corpo materializado ocorrerá também em seu corpo imaterial. Isto significa mais do que poder morrer na Terra, significa tornar-se mortal também enquanto espírito.

- Espíritos são eternos.

- É raro, mas uma desintegração do espírito pode ocorrer. Seu corpo imaterial é o invólucro de seu espírito, de sua essência, de tudo que é e que te torna Adriel e não outro qualquer. Se este invólucro for danificado sua essência dispersará pelo universo, retornando à origem. É muito pouco provável que possa manter sua consciência individual sendo poeira cósmica. Embora sua matéria continue existindo, você não continuará.

- Então devo viver aqui, neste quarto, para sempre?

- Não para sempre. É algo novo e pode demorar alguns anos, mas encontraremos uma forma de recuperar seu corpo fluídico.

- Alguns anos? Impossível. Hayel, tenho que contar-lhe algo: apaixonei-me por uma humana. Ela está a minha espera. Preciso voltar.

- Bem, isto teria que acontecer, mas não imaginei que seria com uma humana.

- Como assim: teria que acontecer?

- Era uma lacuna em sua existência, algo que faltava vivenciar para estar completo e preparado para o próximo passo. Era inevitável que ocorresse porque nossos espíritos atraem automaticamente as experiências que necessitamos. Eu apenas achava que apaixonaria-se por uma celestiana. Era mais provável.

- E por que foi com uma humana? Por causa deste problema com as energias?

- Sim e não. Obviamente a sua identificação com o planeta, o fato de estar vivendo como humano impregnado com suas energias aproximou-o do modo de pensar e sentir dos humanos, abrindo a possibilidade de interessar-se por um deles, mas se não houvesse afinidade com esta humana a atração não ocorreria.

- Ela é especial então? Se eu estava predestinado a amar e ela apareceu em minha vida, ela é minha alma gêmea?

- Almas gêmeas não são como normalmente acreditam na Terra, como se existisse outro ser que completasse o seu ser. Se fosse necessário outro para que fosse completo, seria uma falha de Deus, o que não é verdade. Todos os seres são feitos à imagem e semelhança de Deus e como este é perfeito, também nós o somos ou ao menos contemos a essência da perfeição. O que existem são almas semelhantes que se atraem e mantém-se unidos por afinidade e se é isto que você entende por almas gêmeas, então sim, ela é sua alma gêmea.

- E porque ela não é um anjo como eu?

- Adriel, não sei tudo. Terá que descobrir o restante por si mesmo.

- E o que faço, então?

- Faça o correto: fique aqui até descobrirmos como recuperar seu corpo fluídico e então veremos uma forma de retornar para sua garota.

- Por alguns anos, Hayel? Impossível. Prometi voltar em alguns dias.

- Daremos um jeito de avisá-la. Ela esperará.

- O anjo Liah, responsável pelos Elementais, poderia avisar a fada Tana e ela por sua vez avisaria Maise, mas não sei. É difícil demais ficar sem ela. Sinto muitas saudades.

- Você pode retornar na hora que desejar. Não vamos impedir. É sua decisão. Apenas pense no que seria melhor para ambos em longo prazo.

- Obrigado, Hayel. Preciso pensar em tudo que conversamos. Amanhã decidirei.

- Está certo, meu amigo. Fique em paz.

Ele saiu e permaneci, refletindo e oscilando entre a razão e o coração, sem conseguir escolher.

Quando decidia permanecer, lembrava de Maise e das saudades que sentia. Como viver anos longe dela, sem ver sua presença eletrizante, sem tocar seu corpo macio, ouvir sua voz ou o som de sua risada?

Hayel estava enganado: eu era incompleto sem ela e somente voltaria a sentir-me completo quando pudesse estar ao seu lado novamente.



Texto registrado no Literar.

Imagem daqui.

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