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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

39) Por amor


Decidi permanecer em Celes até que encontrassem uma cura para meu corpo e estava aguardando a chegada de Liah, a quem enviara um recado pouco antes solicitando que viesse aqui. Não tinha sentido prorrogar o comunicado e ele levaria o recado para Tana, que transmitiria a Maise.

Estava tentando ocupar-me para não pensar no que ela sentiria e também para sobreviver à minha própria tristeza. Procurava animar-me pensando no futuro que teríamos. Aqueles poucos anos não significariam nada quando voltássemos a ficar juntos e dessa vez para sempre.

Azael, meu irmão por afinidade veio visitar-me e conversamos longamente, colocando as notícias em dia. Falei sobre Maise e ele contava como conhecera Sarah, sua companheira de vida, quando Liah chegou.

- Hei, Liah. Que bom que veio rápido. Obrigado.

- Alô Adriel. Fiquei curioso com seu chamado.

- Conhece meu irmão Azael? Azael, Liah é o anjo encarregado do principado em que residimos lá na Terra e também meu amigo. – Cumprimentaram-se amistosamente e Liah olhou-me interrogativamente, querendo saber o motivo da chamada.

Expliquei rapidamente os últimos eventos e minha decisão de não retornar à Terra por enquanto.

- Nunca imaginei que isto pudesse ocorrer com um de nós, mas também ninguém havia feito o que fez. Espero que consigam descobrir uma solução. – Ele disse, parecendo chateado. Ele estava desviando o olhar ou era impressão minha?

- Também espero. E na Terra? Como estão as coisas?

- Hummm... Errrr... Adriel, acabei de lembrar que preciso falar com meu conselheiro. É urgente. Voltarei para continuarmos nossa conversa.

- Liah! O que está escondendo? Aconteceu algo com Maise?

- Eu... Hã... Adriel, depois do que disse, não sei se é uma boa idéia que tenha notícias da Terra.

- Fale logo! O que houve com Maise? – Segurei seu braço para que sequer pensasse em fugir.

- Ela, hum, bem... Está desaparecida. Deve ser só birrinha boba e até já deve ter voltado para a cabana enquanto estamos falando. - Tentou minimizar.

- Desaparecida? Desde quando?

- Desde ontem no início da tarde.

- Mais de 18 horas sem que ninguém a tenha visto? Não é possível! Maise não faria isto! Algo grave aconteceu, Liah. E a guarda de gnomos? O que houve?

- A rainha chamou-os para Etera. Estavam preparando uma festa para a visita dela na tarde de ontem e ficou apenas com Tana. Parece que tiveram uma pequena rusga, saiu querendo ficar só e desapareceu.

- Já procuraram por ela?

- Sim. Os encantados varreram cada canto de Portal desde ontem, passando pela noite e continuavam procurando quando sai. Não está em parte alguma.

- Maise! Tenho que ir. Deve estar em perigo ou já teria aparecido. Ela não faria isto com as pessoas. Eu sei que não faria.

- Adriel, não! – Azael é quem falava agora.

- Sabia que não devia contar! Adriel, acalme-se e fique quieto aqui. Não há nada que você possa fazer que já não tenha sido feito e é uma questão de tempo até que a encontrem. Façamos assim, volto e assim que tiver notícias venho aqui para contar. O que acha? - Liah também queria convencer-me a ficar.

- Nada feito! Tenho que ir. Maise precisa de mim e nunca perdoarei-me se não for e algo realmente ruim ocorrer a ela. – Eu já tinha tirado a máscara de respiração e agora tentava sair da redoma.

- Por favor, Adriel, espere ao menos até falar com Hayel. Os conselheiros devem saber de algo.

- Não. Estou indo. Liah, você vem?

- Vou ficar um pouco mais, Adriel. Agora realmente terei que falar com meu conselheiro. Irei em seguida.

- Azael, vocês terão que visitar-me já que não poderei retornar. Você e os demais. Diga-lhes que esperarei por todos. E, por favor, diga a Hayel para não desistir e continuar procurando uma solução.

- Adriel... Sentiremos sua falta. Boa sorte! – Despedimo-nos com um abraço forte.

Assim que saí do quarto senti algumas energias alcançando-me tal como Hayel disse que aconteceria. Voei em direção à Terra o mais rápido que consegui e quando cheguei estava já completamente materializado.

Pousei na varanda, preocupado com a multidão de Elementais que vira na praia. Tana veio imediatamente.

- Adriel!!! Que bom que chegou! Precisa saber...

- Já sei, Tana. Liah contou-me em Celes e por isto vim. Alguma notícia?

- Não, menino. Nada. Parece que foi sugada pela terra ou desapareceu no ar. Estou tão preocupada!

- Quais locais foram examinados? – Tana disse todos os lugares e não consegui pensar em nenhum que tivesse ficado de fora. A sala estava lotada. Até a rainha estava lá, tão triste que nem falava.

- Tana, você vai à cabana. Lembra-se dos cadernos do pai de Maise? Traga todos para cá e dividam a leitura. Quem sabe não encontram alguma pista de quem está por trás deste desaparecimento? Vou à praia pensar e tentar lembrar-me de algum lugar esquecido. – Isto daria uma ocupação a elas.

Chegando à praia, sentei na minha pedra, fechei os olhos e passei toda Portal em mente, buscando alguma idéia. Invariavelmente o rosto delicado de Maise interrompia-me e tinha que recomeçar até o ponto em que desisti e concentrei-me apenas nela.

“Querida, onde você está?” – Lembrei de sua voz, de seus cabelos dourados ao sol, de seu riso, do som de sua respiração quando adormecida e até mesmo do ritmo de seu coração que conhecia tão bem.

É isto! – Falei em voz alta quando tive a idéia. Eu conhecia o ritmo do coração de Maise e sabia distingui-lo de qualquer outro. Se pudesse ampliar minha audição, focando-a apenas naquele batimento, talvez pudesse ouvi-lo. Tinha que tentar.

Primeiro isolei a mente para todos os outros ruídos exteriores, depois concentrei na lembrança de seu batimento e quando apenas ele existia em meus pensamentos, fui aumentando lentamente o alcance da audição para aquele som, tal qual um radar. O alcance máximo do raio era pequeno e não poderia escutar toda Portal. Se não estivesse aqui perto, procuraria em outros lugares.

Quanto cheguei ao limite, fiquei ouvindo e buscando em toda sua extensão. À minha direita pensei ter ouvido algo, mas era tão baixo que não tive certeza. Desloquei um pouco para aquele lado e tentei novamente. Sim. Lá estava. Baixo, muito baixo, mas era ele, o som de seu coração.

Olhei confuso para o paredão rochoso até lembrar que avistara uma laguna ali dentro enquanto voava e depois soubera ser uma área reservada dos Elementais. Como Maise entrara ali?

Voei para entrar na laguna por cima do paredão. Maise não estava à vista. Fechei os olhos concentrando novamente e o som reapareceu mais nítido, sempre à direita. Abri-os e foquei na vegetação espessa. Aparentemente nada havia ali. Afastei algumas plantas com as mãos e vi um ponto de cor um pouco à frente.

Às pressas fui retirando mais folhas e galhos e lá estava! Minha Maise, tão pálida e branca deitada no chão de terra, toda suja e ferida pelos galhos, com formigas e pequenos bichinhos passando por seu corpo. Se não estivesse ouvindo o ritmo fraco de seu coração duvidaria que estivesse viva. Levantei-a até meu colo. Estava enrijecida e gelada, deixando-me ainda mais assustado.

Com ela em meus braços, voei rapidamente para casa. Ao entrar fui direto ao quarto e Tana, a Rainha e praticamente todos que lá estavam seguiram-me.

- Tana, ela precisa de um médico, rápido!

- Temos nossa própria medicina e garanto que é melhor do que a daquele médico tolo de Portal. – Abriu espaço para a passagem de duas fadas de cura.

- É melhor saírem para que possamos examinar a princesa. – Disse uma delas. Eu não queria sair, mas Tana obrigou-me.

Contei-lhes como e onde encontrara Maise e ficaram naturalmente horrorizadas. Tana disse que encontraram menção à Eileen nos cadernos e que ela estava sumida desde ontem. Tinham enviado alguns guardas para trazê-la esperando que pudesse elucidar algo. Eles ainda não tinham voltado.

- Acham que foi ela? – Perguntei sem querer acreditar. Conhecia Eileen desde os primeiros tempos aqui e embora não tivéssemos intimidade não parecia do tipo que faria algo assim.

- Ela especificamente não. Apenas achamos que talvez saiba algo que possa levar-nos à quem fez isto. Vamos aguardar o retorno dos guardas. – Quando disse isto a porta do quarto abriu-se e entramos.

A fada Sili disse à rainha que Maise estava envenenada. Ainda não sabiam qual o veneno e estavam administrando antídotos naturais, mas o coração estava muito fraco e não sabiam quanto tempo agüentaria. Iriam fazer um encantamento de fortalecimento e provavelmente ganhariam algum tempo, mas o veneno continuaria a avançar e o único jeito de curar Maise seria descobrir o veneno exato para assim administrar o antídoto ou encantamento correto, o que quer que fosse necessário.

Sili e sua ajudante postaram-se uma a cada lado de Maise e uniram uma das mãos acima de seu coração. Começaram a recitar uma cantinela arrastada enquanto com a outra mão espalhavam pó de ervas medicinais pelo seu corpo. Após um tempo que pareceu longo desataram as mãos e escutaram atentamente. Sorriram e fizeram aceno positivo para nós.

Eu estava monitorando o coração de Maise desde que a encontrei e acompanhei a melhora do ritmo. Sili disse que o efeito acabaria durante a madrugada e não poderia ser repetido. Tínhamos pouco mais de 12 horas para descobrir o veneno e o antídoto.

Todos saíram do quarto para discutirem as possibilidades. Fiquei sozinho com Maise.

A cor retornara ao seu rosto. Limpei a terra de sua face, cabelos e pescoço, enternecido.

Beijei ternamente seus lábios antes de dizer baixinho em seu ouvido:

- Meu amor, não tenha medo. Estou aqui com você, para sempre.


Texto registrado no Literar.

Imagem: fragmento de "O Beijo" de Gustav Klimt. Saiba mais aqui.

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