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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

46) Elros


Elros recebeu-nos de forma muito gentil na entrada do palácio. Ele era realmente bonito, com cabelos claros, quase brancos e olhos tão verdes quanto os de Adriel. O rosto e o corpo tinham uma ossatura agradável, suave e algo nele parecia um pouco melancólico.

- “Também pudera, coitado, dois noivados infelizes.” – Ponderei, lembrando-me de ser cuidadosa ao tocar nestes assuntos.

Passamos pela sala de jantar, com uma mesa imensa e vazia.

- Prefiro usar esta sala apenas em eventos mais formais. Sinto-me oprimido aqui. Incomodam-se em almoçarmos na Pequena Copa?

A Pequena Copa era uma sala de almoço íntima, próxima à de jantar, com uma mesa redonda de 6 lugares, agradavelmente decorada e com grandes janelas com vista para as árvores.

- Absolutamente. – Eu disse. – Aqui está ótimo!

Iniciamos o almoço falando sobre nosso casamento e a lua de mel. Não pude deixar de notar que a expressão de melancolia aprofundou-se e não me contive:

- Você está triste, Elros?

- É assim tão evidente? Perdoem-me. Creio que não superei totalmente os últimos acontecimentos.

- Eileen?

- Sim. Ela também. Foi uma grande decepção. É lógico que conhecia seu temperamento, mas tinha esperanças de que melhorasse com nossa convivência. Agora percebo que nutria uma inveja patológica por Luna e desejava tudo que era ou seria dela, o trono e eu incluso.

- Você a amava? – Eu tinha que saber.

- Não sei. Acho que não. Veja, crescemos juntos, Luna, Eileen e eu. Ela era uma alma perturbada e fazia contraste para destacar ainda mais a serenidade e paz de Luna. E eu ficava no meio, tentando ser imparcial. Luna e eu éramos amigos e nem sei como viramos noivos. Acho que mais porque era um sonho almejado pela rainha e queríamos agradá-la. Não que não gostássemos um do outro, mas não desta forma. Quando ela apaixonou-se por Artur, apoiei, mas ela tinha medo de decepcionar a mãe. Acabou fugindo e teve toda esta separação por tantos anos.

- E você aproximou-se de Eileen.

- Já havia aproximado-me antes. Quando a Rainha pediu que saísse do castelo e fosse viver na vila, pediu-me para ficar de olho nela. E por pior que Eileen fosse, era triste ver como sentia-se humilhada e fora de seu lugar entre nós. Eu era o único com quem ela interagia de uma forma mais sensata. Ela parecia precisar de mim realmente e acabei envolvendo-me. Se isto tudo não tivesse ocorrido teríamos nos casado.

- E agora? – Noivo de uma por amizade e de outra por compaixão. - “Que homem seria aquele?” - Pensei comigo mesma.

- Ah, não sei. Não consegui digerir tudo. Gostava muito da rainha Selena. Sinto sua falta, muito mais do que a de Eileen. Às vezes não consigo acreditar. E agora tenho estas funções à mais, o reino inteiro para cuidar e todos estão tão chocados quanto eu e esperando para saber em que direção iremos.

- Como assim?

- Sobre o Portal. A velha discussão foi reaberta agora que a chave voltou a Etera. O povo está dividido entre os que querem que seja fechado e os que desejam que permaneça aberto.

- Vovó disse que somente eu posso decidir sobre este assunto.

- Sim, o que não impede que o povo fale sobre o assunto e manifeste sua vontade.

- Lógico. O que você acha, Elros?

- Ambos os lados têm seus argumentos e sua razão. É mais uma questão de decidir se as vantagens superam as desvantagens em cada opção. Pessoalmente gostaria que o Portal fosse fechado por um tempo. Estamos fragilizados. Os Elfos Negros podem atacar-nos a qualquer momento e caso aliem-se aos demônios seremos devastados.

- E porque eles atacariam Etera? O que vocês têm que eles possam querer? Ou seria apenas alguma questão de vingança?

- Vingança também, mas fundamentalmente gostariam de ter o domínio de Etera e dos encantados para usar nossos poderes e o controle do tempo.

- Já ouvi falar sobre o tempo em Etera ser diferente do tempo da Terra.

- Sim. Aqui o tempo passa mais lentamente do ponto de vista dos humanos. Para nós um dia é um dia, mas na Terra teria transcorrido uma hora, se tanto. Existem muitas possibilidades de uso deste recurso.

- Acredita que eles o fariam? Que estão prestes a atacar Etera?

- Acho que existe esta possibilidade, Maise. Eileen está com eles agora entregando todos nossos segredos. Se ela quer o trono de Etera, se não abandonou este desejo, irá instigá-los.

- O Portal não pode ser fechado agora. Eu vivo na Terra. Posso descender dos encantados, mas sou humana e é lá que moro. Estou para me casar, vou ausentar-me por quase um mês e no retorno morarei com Adriel em Portal do Sol. Quero transitar livremente entre ambos. Não posso perder o contato com vocês agora que os encontrei. Se o Portal for fechado e eu ficar de fora, não poderei voltar.

- Vocês poderiam viver aqui.

- Impossível. Adriel tem seu trabalho no complexo, viaja por toda Terra para contato com os líderes. E eu não estou preparada para abandonar tudo o que conheço. Talvez algum dia, no futuro.

- Transmitirei sua decisão ao povo. Ao menos o falatório cessará.

- Quando voltarmos da viagem discutiremos as possibilidade de defesa para Etera. Adriel pode ajudar-nos com isto, não é? – Ele permanecia calado durante nossa conversa, apenas ouvindo.

- Lógico que sim. De imediato pedirei que a camada de proteção que nos deixa fora do alcance dos demônios seja reforçada e colocarei alguns de meus auxiliares vigiando o Portal, juntamente com sua guarda. São medidas paliativas que no máximo retardarão algum ataque. O ideal é mesmo que Etera desenvolva defesas mais estruturadas, mas isto requer algum tempo para estudo, instalação e treinamento. Terá que aguardar nosso retorno. – Adriel parecia mesmo envolvido.

- Obrigado. Discutirei com Gnon sobre um plano de defesa provisório. Tentaremos fazer o melhor. – Elros parecia um pouco mais aliviado com a perspectiva de ajuda em nosso retorno.

- Elros, Tana terá o número de nosso celular e poderá chamar-nos imediatamente caso seja necessário. Fale com ela, combinado? – Adriel ofereceu.

- Agradeço novamente, mas espero não ser necessário. Para onde vão?

- É uma surpresa para Maise. Ninguém sabe ainda. – Droga! Estava roendo-me de curiosidade e pensei que ele soltaria sem querer.

- Bem, espero que se divirtam. Aqui está tudo praticamente pronto para a cerimônia. Vão mesmo seguir o ritual wicca?

- Sim. Adoramos toda a simbologia. Amanhã vamos casar na igreja de Portal e depois de amanhã aqui. Teve que ser assim. Não tinha como reunir ambos os grupos em uma mesma cerimônia. – Expliquei.

- Aliás, amor, temos que ir. Meu pessoal de Celes já deve estar chegando. – Adriel lembrou-me.

- Ah, é verdade. Só mais uma questão, Elros: existe mesmo certa rixa entre os elementais com asas e os gnomos ou foi uma impressão minha?

- Não foi uma impressão. Os gnomos foram vistos como uma raça inferior no passado. Hoje em dia este assunto está mais bem resolvido ainda que, infelizmente, o preconceito de alguns permaneça. A rainha suavizou bastante o tratamento que recebem, mas é difícil dissolver séculos de idéias arraigadas.

- E o que você pensa a respeito?

- Aprendi a conhecer e a valorizar os gnomos, principalmente por conta de minha proximidade com Gnom. Gostaria que esta separação idiota não existisse, mas existe e não adianta tentar resolver à força. Temos que avançar devagar.

- Elros, este será mais um tema para discutirmos. Prometo que dedicarei boa parte de meu tempo aos assuntos de Etera tão logo retorne. Agora temos mesmo que ir. Pode desculpar-nos?

- É claro que sim, Maise. Cobrarei sua promessa, não tenha dúvidas. Toda ajuda será bem vinda. E agora, vão. Encontramo-nos depois de amanhã no casamento.

Saímos apressados. Elros pareceu-me realmente sincero e totalmente dedicado aos assuntos de Etera. Que triste isto dos dois noivados.

- “Tomara que encontre logo uma elfa para chamar de sua.” – pensei, desejando que fosse tão feliz no amor quanto eu era.

Abracei meu anjo, ansiosa pelo amanhã.



Texto registrado no Literar.

Imagem daqui.

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