sábado, 22 de agosto de 2009

Vou de Angola?


Na minha lavanderia atendo vários clientes angolanos. Primeiro veio um, deve ter falado para o outro, que veio também e acabei formando uma clientela na comunidade. Eles são assim: trazem uma ou no máximo duas peças por vez, mas normalmente é “a” peça. Tênis de marca, camisas de estilistas, ternos de linho, só trabalhos complicados e delicados. E choram, meu Deus, como choram por cada real.

Um deles sempre diz: “Tudo isto?!”, parecendo realmente chocado. Quando confirmo, ele diz: “Na lavanderia que tem no Carrefour, pago menos e lá é franquia.”. E eu sempre retruco a mesma coisa: “Leva para lá.”. Então ele inventa uma desculpa para não levar e deixa. É óbvio que não vai levar em outro lugar. Expliquei na primeira vez que veio com esta que meus japoneses passam melhor do que os brasileiros da concorrente. E eles sabem que passam mesmo. kkk Gostam de nosso trabalho e são desconfiados demais para testar outro. Às vezes acabo dando um desconto, de tanta graça que acho.

Bem... Não é só pela graça, confesso. Acontece que o fulano em questão é um deus de lindo. Um negro alto, corpo perfeito, mas perfeito mesmo! Um rosto divino de tão belo. Sorriso de arrebentar e a voz!!! Aff!!! O que é aquilo? Aquele sotaque delicioso e eu só imaginando em meus ouvidos, falando baixinho, outras coisas. rsrs

E o jeitinho dele? Meigo, doce, educado. Ai, do jeitinho de Adriel. Do jeitinho que gosto. :DD

O danado sabendo que é bonito e tirando proveito. E eu sabendo que ele sabe que eu pago um pau quilométrico e que está se aproveitando, mas nem ligando. Só para ter o prazer de ver e ouvir aquele monumento de vez em quando, lavaria até de graça. kkk

O tempo vai passando e papinho aqui, papinho ali, qual é o seu nome ele pergunta, trabalha em quê? emendo junto com o nome, seu marido não sei o quê investiga ele, não tenho marido esclareço e a paquera rolando solta e eu nem aí e só comendo com os olhos.

Esta tranqüilidade toda era porque nem em meus mais remotos sonhos acreditaria ter qualquer chance com ele. Achava que era modelo e com trocentas mulheres caindo aos seus pés e que só brincava como eu.

Hoje veio buscar um terno. Eu pegando a roupa na arara e solta a queima roupa: “Que dia não trabalha? Podia vir buscar você e irmos a uma festa.” Eu me embaralho toda com a roupa e desnorteio inteira. Só faltou gaguejar de tonta.

Respondi que trabalhava todos os dias. Ele sem se dar por vencido: “E domingo?”. E eu: “Não.” E ele: “Por que não”. E eu: “Porque não.” E para ficar menos antipático disparo um: “Tenho namorado.”

Ele carinha de triste: “Falou que não tinha.” Explico: “Marido. Não tenho marido. Tenho namorado.” Então se desculpa, fica todo sem graça e vai.

Vocês devem estar me chamando de idiota para baixo. Vai ver que têm razão. Porque não é segredo para ninguém minha predileção pela cor, de mulato a negro (já teve até comentarista branco ofendido reclamando de discriminação. sorry.). E aquele com aquela carinha de malandro deve ser o paraíso na horizontal.

Então, por que disse não?, vocês podem querer saber.

Bom, primeiro pela surpresa. Segundo porque não acreditei e não acredito ainda seriamente que esteja mesmo interessado. Não que eu seja pavorosa de feia ou coisa parecida, mas ando meio relaxada, principalmente no trabalho. E com a autoestima em baixa.

Como é que um homem bonito daqueles vai sentir tesão deste jeito? Sem contar que é uns 10 anos mais novo. Ah, sei lá. Vai saber qual o interesse real.

Minha amiga da loja ao lado pôs fogo: “Deixa de ser boba. Não importa o motivo. Vai com isto na cabeça para não se deixar enganar e aproveita.”.

Será??? Hum... Sei não... Romântica como sou. O que acham?

Vou de Angola?

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