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 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

domingo, 11 de outubro de 2009

8) O lago encantado


- Adriel! – Acordei gritando seu nome, quente e agitada.

Sonhei com ele, mas foi confuso e lembrava-me mais da sensação. Uma esperança louca esgueirou-se por entre a faca e instalou-se ali dentro.

- “Ele vive!” – Pensei, sentindo as batidas endoidecidas de meu coração e envolvida naquela certeza, quis sair correndo à sua procura.

- O que foi, menina? Ouvi você gritar. Teve pesadelo? – Era Tana que entrava ainda com roupa de dormir.

- Tana, ele está vivo! Sonhei com ele, pela primeira vez! Está vivo!!! Ó meu Deus, obrigada! – Juntei minhas mãos em um gesto de prece e agradecimento.

- Como assim? O que sonhou? O que ele disse? Onde está?

- Não sei, Tana. Não lembro o que sonhei. Apenas sei que foi com ele e acordei chamando-o e com esta certeza de que vive.

- Menina... Sei que não se conforma e é bom que sonhe com ele, mas não se iluda. Vai sofrer mais.

- Eu sinto, Tana. Dentro de mim. Não é uma ilusão. Adriel vive em algum lugar.

- Bem, se estiver vivo virá a Etera, não é? Então vamos aguardar. – Ela disse com jeito de quem não acreditava realmente.

- Sim, vamos aguardar. Ele virá. – Não importava que não acreditasse. Meu Adriel vivia. Era o que meu coração dizia e aguardaria até que viesse.

- Vou trazer seu café da manhã.

- Tana, hoje é o dia da festa e da coroação, mas é só à tarde. Estou pensando em ter a manhã livre, para passear um pouco. Acha que posso?

- Humm... Tem certeza de que está bem? – Olhou-me com olhos críticos procurando sinais preocupantes.

- Estou sim. É só que quero ficar um pouco quieta, pensando, livre destas atividades.

- Tudo bem, mocinha. Vá e entendo-me com Elros.

- Obrigada, Tana!!! – Dei-lhe beijos estalados nas bochechas, vesti-me e tomei rapidamente o café da manhã.

Nos fundos do palácio estava Aza à minha espera e também Niis, meu doce amiguinho, que afastei de minha presença naquele primeiro mês e que agora não deixava-me mais.

Aza era um pégasus. Pertencera à minha avó e puxava sua carruagem pelos céus quando ela não queria ir voando. Agora era bem útil porque ainda não tinha asas e as distancias não eram tão pequenas assim. Elros levava-me algumas vezes, mas eu não gostava de voar em seus braços. Era íntimo demais e recordava-me de Adriel. Ele pareceu perceber e um dia levou-me até Aza.

Era um cavalo completamente branco e com asas imensas e um símbolo da imortalidade.

Eles não envelheciam ou morriam, nunca. Pelo que entendi, era também um ser Elemental, embora de nível diferenciado. Falava pouco, mas tinha personalidade. Disseram-me que ele escolhia um dono e não o contrário e que estava ali de livre vontade, porque adorava minha avó e quando ela morreu, disse que ficaria para ser útil à futura rainha, mas não deixou ninguém mais montar nele.

Parecia conhecer-me, já. Na primeira vez que o vi, fiquei com um pouco de receio porque era muito grande. Ele fez uma reverência muito delicada com as pernas dianteiras e as patas e piscou um dos olhos de forma engraçada.

- Aproxime-se, jovem rainha. Estava a sua espera.

- Você fala? – Perguntei e ele apenas revirou os olhos, como se fosse uma imbecil. É lógico que era, ele acabara de falar, pensei sorrindo e todo o receio acabou.

Passei a mão por seu pelo macio, pelas suas asas tão incrivelmente brancas e depois em sua cabeça. Ele olhou-me firmemente nos olhos e senti que tinha ganhado um amigo muito fiel.

Niis pegou para si a tarefa de cuidar de Aza e passavam os dias juntos.

- Maise! Acordou cedo. Vamos passear? – Ele perguntou com um sorriso imenso, pois adorava todas as vezes que saíamos juntos.

- Bom dia, Niis querido. Bom dia, Aza. Sim. Quero ir ao pequeno lago esta manhã, para descansar antes da coroação. Vamos?

Subi em Aza, com Niis sentado à minha frente. Embora ele pudesse teletransportar-se rapidamente, tinha receio de que caísse e se machucasse antes de conseguir ir para um local seguro.

Aza voava magistralmente e era como se deslizássemos através do vento. Sentia apenas o ar acariciando-me com suavidade e naquele momento fechei os olhos e deixei-me levar pela sensação agradável de flutuar no ar.

Pousamos na beira do pequeno lago, como o chamávamos para diferenciar do grande lago que contornava o castelo. Este era realmente um recanto mágico e rapidamente tornou-se meu predileto.

De uma encosta descia uma pequena cascata que desaguava em uma área circular, pequena e não muito funda, com fundo de pedrinhas lisas e coloridas. A água era de um azul meio turquesa, incrivelmente transparente e que brilhava de forma agradável e não ofuscante.

Ao redor do lago, de um lado um vasto campo de flores do campo, coloridas e muito cheirosas e de outro uma relva macia, de um verde intenso, com algumas árvores e ao fundo o início da floresta.

Tirei o vestido, ficando apenas com o maiô e entrei na água, desesperada por sentir sua tepidez e a sensação gostosa de ser envolvida por elas. Niis e Aza também entraram. Os dois adoravam este lugar tanto quanto eu e ficaram envolvidos em brincadeiras enquanto eu apenas boiava, com os olhos fechados, deixando que a paz daquele momento me envolvesse.

Hoje eu podia sentir isto integralmente. Adriel estava vivo. Não precisava mais culpar-me ou privar-me de qualquer prazer. Saboreei lentamente aquela sensação de prazer, a primeira desde que vim para Etera.

Mais tarde, deitei aos pés de Sally, um salgueiro imenso junto à relva. Ela também falava, tinha descoberto em uma ocasião, mas era mais raro e apenas quando havia necessidade. Era uma árvore antiga e diziam que muito sábia, embora um pouco ranzinza. Suas folhas e galhos eram utilizados pelas fadas, para feitiços de purificação, de cura e para o feitio de varinhas mágicas.

Deixei-me ficar sob a proteção de sua imensa copa e cochilei por alguns minutos, enquanto Aza e Niis saiam em busca das frutas comestíveis que haviam por ali e que gostavam.

Foi um sono confuso, em que flutuava em um vazio branco. Sally apareceu e disse:

- Tenha fé, doce Maise. Cuida de ti, mas mantenha-o vivo em seu coração, para que não deixem de chamar-se e reencontrem-se através desta voz. Lembre-se: tenha fé.

Acordei com Niis que trouxera-me uma guirlanda de flores, bonita, colorida e perfumada.

Olhei para Sally de esguelha e agradeci mentalmente pelo conselho.

- Niis, que lindo! Obrigada querido.

- Fiz para que use na festa. Vai usar, Maise?

- É lógico que vou. Ficará muito bonito com meu vestido todo branco e prata. Agora é hora de voltar.

Era tarde já. Dali a pouco a cerimônia teria início e Tana devia estar descabelando-se toda com minha demora.

Sorri ao pensamento, admirando-me com a facilidade com que voltava à minha face.

Hoje estava feliz e em paz. Adriel vivia. Não sabia onde ou como, nem quando nos reencontraríamos, apenas tinha a certeza de que aconteceria um dia. Até lá eu seguiria em Etera, fazendo o melhor para meus pequenos amigos e preparando tudo para o dia em que ele voltasse.

Adriel... Deixei seu nome envolver-me inteira, estupidamente feliz.


...


Texto registrado no Literar.

Informações sobre os poderes dos salgueiros obtidas aqui.

Imagem de Aza daqui.


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