WhatsApp

 Grupo da Itinerante no WhatsApp

Amigos, este blog está em pausa, se momentânea ou eternamente não sei ainda. Vai depender de aparecer um game que me instigue a fazer novas postagens.

Mas eu e meus amigos continuamos na ativa, conversando muito sobre games e nerdices em nosso grupo no WhatsApp.

Este post é só para convidá-los a se juntar a nós. Para falar dos Finais Fantasys, Zelda, Pokemon, Dragon Quest, Persona ou de qualquer outro game ou tema que queira. Sempre tem alguém que joga, já jogou ou quer jogar. rs

Agora que praticamente todos já terminaram o Final Fantasy XV nós estamos comentando livremente a história, mas se alguém que ainda não finalizou entrar é só pedir que interrompemos os spoilers.

Então, caso queira se juntar a nós, basta clicar na imagem.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

9) O retorno de Adriel


Adriel estava confuso naquele instante, logo após seu renascer e permaneceu neste estado nebuloso por tempo que pareceu interminável. Pensamentos soltos, pedaços de lembranças, um rosto, uma voz, o nome a girar e revolver-se em sua mente, em um turbilhão grosso e espesso, no qual não encontrava a ponta original a seguir, o elo que daria lógica e estrutura a tudo.

Abandonou-se ao doce rosto em cujos olhos azuis mergulhou. Esqueceu-se do caos imerso na contemplação de sua face e os sentimentos emergiram juntamente com recordações esparsas que aos poucos foram completando-se, pedaços de puzzle que montava-se velozmente.

- Maise, querida. Agora recordo. O que houve? Terei morrido? Onde estou?

Compreendeu sua localização no espaço vendo ao longe o globo azul da Terra e o pensamento impulsionou-o em sua direção. Entrou na atmosfera do planeta sentindo queimar-se com a densidade tão alta, que apagava e comprimia ainda sua forma, modificando-a tal como antes fizera ao seu corpo espiritual.

Foi assim, invisível aos olhos humanos, agrupamento circular de pura energia, que chegou a Portal do Sol.

Entrou em sua casa pelo terraço, como de hábito e estranhou as portas fechadas e a grossa camada de pó por sob móveis e objetos. Ninguém.

- Maise! – Onde estaria? Quanto tempo teria passado? Parecia abandonada. Onde teriam ido? Os pensamentos surgiam em vendaval, com a saudade explodindo em ondas de agonia. Foi à cabana e o cenário era o mesmo. Portas fechadas sob silêncio, vazio e pó.

- Maise! – As perguntas repetiam-se em sua mente. Buscou algo, algum sinal, um indício que fosse que levasse a alguma resposta, sem nada encontrar.

Foi à Portal do Sol. Tudo era igual. A pequena vila respirava ao sol do meio-dia. No bar de Antônio percebeu a data no calendário exposto na parede.

- “Um ano!!! Tanto tempo!” – Foi entendendo aos poucos o que provavelmente ocorrera.

Lembrava-se da flecha, direta e certeira, enviada à Maise, de jogar-se em sua direção, da explosão e de olhar em seus olhos uma última vez querendo reter para sempre sua imagem e então o silêncio, até despertar sem corpo, no universo.

Retornou à sua casa, para ordenar os pensamentos e permaneceu entre ela e a cabana até lembrar-se do Portal de Etera. Buscou-o, deparando-se com o nada onde costumava estar a entrada para o mundo encantado.

- “Fechado!” – Cogitou sobre o final da batalha. Teriam sido derrotados pelos demônios? Capturados? Maise teria voltado para sua casa, na cidade?

- Maise... Onde está você, meu amor? – Era o que dizia, em voz sem som que sequer ecoava nas paredes de sua casa vazia na cidade, realçando ainda mais o silêncio do vazio.

Foi à galeria de François. Lá estava ele, no escritório, aparentemente em um dia normal de trabalho. Na parede retratos de Maise feitos por seu pai. Desejou ter lágrimas que desaguassem e aliviassem um pouco da angústia por vê-la retratada, tão bela e inatingível.

Na Cratera, deixou-se ficar, melancólico, refletindo sobre outros possíveis rumos de Maise. Era como se ainda a visse naquele dia que passaram juntos ali, tão felizes em seu futuro inabalável.

- Celes! Como não pensei nisto antes! – Rumou em sua direção, imediatamente. Lá estavam os conselheiros, sua família e amigos. Haveriam de saber sobre o destino de Maise e também poderiam ajudar a reconstruir seu corpo espiritual. Não poderia continuar desta forma, energia condensada unida apenas por sua vontade.

E tal qual ocorrera da última vez que fizera o mesmo trajeto as energias densas da Terra, sua gravidade o puxava para baixo e agora sem massa, não conseguiu romper os limites do planeta. Tentou uma vez ainda, e outra, e outra, e outra e outra, até compreender que nesta forma estava inexoravelmente preso á Terra.

Abatido retornou à sua casa e apenas deixou-se ficar, consumindo fiapos energéticos de Maise que encontrava aqui e ali. Na cabana pairou pela cama onde velou tantas noites por seu sono, embevecido e encantado.

E assim, vivendo de lembranças, quedou-se por dias que transformaram-se em semanas e depois em meses, sem que percebesse.

Na vila de Portal do Sol rumores diziam de uma alma atormentada que assombrava casa e cabana e teciam estórias sobre um lindo amor perdido para sempre.


...

Texto registrado no Literar.

Imagem daqui.




0 comentários:

Posts relacionados: